IPT nega ter garantido segurança da pista

Análises foram sobre medições pontuais da Infraero antes do acidente e das chuvas, afirma diretor

Camilla Rigi e Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2026 | 00h00

O diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Vahan Agopyan, disse ontem que o laudo parcial da instituição que apontou coeficiente de atrito da pista principal de Congonhas acima dos padrões de segurança não garante que local esteja em boas condições para pousos e decolagens. Segundo ele, o documento não trata de outros pontos importantes, como a drenagem, dimensão e geometria da obra. Ele destacou ainda que o laudo, feito em 48 horas a pedido da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), é uma análise "pontual" de dados fornecidos pela estatal e atesta a regularidade do material usado na pista logo após sua entrega, na semana anterior à do acidente do Airbus da TAM e antes do início das chuvas. "É essencial o material da pista ser bom, mas não o suficiente para dizer que a pista está boa ou não ou se, no momento do acidente, estava em condições", disse Agopyan. O IPT, que assinou um contrato com a Infraero para auditar as obras, é um órgão ligado ao governo José Serra (PSDB). Os resultados parciais positivos sobre o atrito da pista foram anunciados com destaque pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT)nesta semana. Em sua página na internet, a Infraero, responsável pelas obras no aeroporto, noticiou na segunda-feira: "IPT avalia altamente satisfatórias (sic) condições da pista principal de Congonhas." "Houve extrapolação das atividades do IPT. Nossa tarefa é muito pontual, nosso contrato fala em auditagem de forma aleatória, e não em avaliação contínua", disse Agopyan. Só a perícia da pista poderá concluir sobre as condições do local. Ainda de acordo com o diretor, o teste-padrão de atrito que a Infraero fez na semana anterior do acidente, acompanhado pelo IPT, simula um acúmulo de chuva de 1 milímetro. O uso da pista dias depois, a chuva - ainda não havia chovido quando o teste foi realizado -, sujeiras e outros fatores podem ter alterado as condições de atrito, afirmou Agopyan. Questionada sobre as medições de atrito na semana do acidente, a Infraero informou ontem que a pessoa responsável pelos dados estava numa reunião e não poderia falar com a reportagem. ABERTURA DA PISTA A estatal pretende entregar a pista limpa, pronta para ser aberta, na sexta-feira. No entanto, o grooving - ranhuras transversais que ajudam no escoamento da água - não deverá estar pronto até lá. "Nosso objetivo é entregar a pista pronta na sexta-feira. Se ela vai ser reaberta no mesmo dia, não posso afirmar, pois tem de ter vistoria da Anac", disse o diretor de operações da Infraero, Rogério Barzellay. Apesar de o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, ter afirmado que o trabalho começaria na noite de anteontem, o grooving só começou a ser feito de fato ontem, às 11 horas. Até as 16 horas, 12 metros de um total de 1.935 metros de comprimento da pista já tinham as ranhuras. Até sexta-feira, o grooving será feito dia e noite. Depois da liberação da pista só será realizado de madrugada.

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