Irmã de Pedrinho também foi seqüestrada, afirma polícia

A polícia de Goiás não tem mais dúvidas de que Roberta Jamilly Martins Borges, irmã adotiva de Osvaldo Borges Junior, o Pedrinho, sequestrado há 16 anos em Brasília, é na verdade Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, também levada de uma maternidade em Goiânia, em maio de 1974.Nesta segunda-feira, a polícia ouviu o testemunho de duas enfermeiras que simularam uma operaçãocesariana em Vilma Martins Borges, a mãe adotiva do adolescente. A criança teria desaparecido e sido levada para um hospital do interior de Goiás.?Não existe mais nenhuma dúvida de que Roberta é realmente Aparecida. O mistério de quase 20 anos está praticamente esclarecido?, afirmou o chefe daDelegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), Antônio Gonçalves Pereira dos Santos. O delegado não quer antecipar qual será o destino do inquérito, pelo qual Vilma poderá ser indiciada pela segunda vez ? a primeira foi em Brasília, no caso Pedrinho ? por seqüestro.Os depoimentos das enfermeiras M.C.F.F. e M.H.L., foram tomados nesta segunda-feira, juntamente com o de outra mulher que estava no hospital de Taguari, no dia em que Vilma apareceu para fazer uma suposta operação.A mulher disse ao delegado que viu a mãe adotiva de Pedrinho sem sinais de gravidez, enquanto as enfermeiras relataram que simularam uma cirurgia cesariana em Vilma. Uma terceira pessoa também participou da suposta farsa, sendo a responsável pelo transporte da criança do Hospital de Goiânia até o interior do Estado.?Uma mulher chegou a Taguari e pediu, no hospital, que uma das enfermeiras segurasse a criança enquanto ia comprar remédio. No entanto, a pessoa não mais voltou, quando Vilma chegou e se internou?, disse o delegado Gonçalves.Conforme o delegado, um médico ? cujo nome está sendo mantido em sigilo ? também teria participado da encenação. ?As enfermeiras disseram que uma mulher deixou a criança,mas o médico assegurou a elas que uma pessoa iria aparecer, já que o bebê era de uma mulher cuja família não poderia saber que ela tinha engravidado?, relatou Gonçalves, ressaltando que o fato foi descoberto no mesmo dia.Isso aconteceu, segundo ele, quando as enfermeiras souberam pela televisão dodesaparecimento da criança em Goiânia. O médico pediu a elas que não revelassem o caso, o que só veio a acontecer 19 anos depois. Conforme Gonçalves, Aparecida teria chegado a Taguari ainda com roupas da Maternidade de Maio, em Goiânia, e uma pulseira onde havia a identificação dos pais.Depois de simular a cirurgia, Vilma aindateria sujado a criança com sangue, para simular o nascimento naquele momento. O caso de Roberta surgiu duas semanas depois de a polícia de Brasília ter descoberto que Pedrinho havia sido sequestrado. Guiomar Costa, uma das irmãs da mãe adotiva do adolescente, gravou um depoimento onde afirmava que Roberta havia sido raptada emuma cidade do interior de Goiás.?Para a polícia de Goiás, todos os dados coincidem?, afirma o delegado-chefe da Deic.A polícia também descobriu que Roberta foi registrada por Osvaldo Borges, pai adotivo de Pedrinho, em 1981, apesar de ter nascido em 74. Possivelmente para esconder a paternidade ou o seqüestro. Nos documentos escolares constava até então o nome de um empresário como pai verdadeiro de Roberta, que teria conhecido a menina, ainda quando ela estava no hospital de Taguari.

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