Irmã diz que jovem foi executado pela PM

A irmã do jovem Ronan Azevedo Santos, de 20 anos, morto anteontem no Tremembé, zona norte da capital, ao supostamente atirar contra policiais militares, acusa a PM de execução. Rinielli Aparecida dos Santos, de 23 anos, disse ter visto um PM encostar a arma no peito do rapaz, que estava deitado no chão, e disparar. A Polícia Militar nega. "Até o momento, não temos nenhum motivo para suspeitar dos policiais", afirmou o comandante do 43º BPM, tenente-coronel Marcos Almeida.Segundo a PM, no fim da tarde de quarta-feira, Santos e mais um homem - ainda não identificado - estavam sentados "em atitude suspeita" numa via de terra perto da Rua Mário Lago. Com a aproximação de um sargento e de dois soldados, um deles correu. Santos ficou e teria sacado um revólver calibre 32 e atirado contra a viatura. Os policiais revidaram e o alvejaram duas vezes. O tenente-coronel afirmou que onde os rapazes estavam há tráfico. Apesar de negar que houvesse sido encontrada droga com a dupla, consta do boletim de ocorrência registrado no 73º DP (Jaçanã) a apreensão de 50 papelotes de crack. Ainda segundo ele, há indícios da utilização do revólver 32 em outros crimes. "Essa arma já havia sido apreendida, furtada." A namorada de Ronan, Lysandra da Silva, de 16 anos, afirmou que o namorado saiu de casa sem dizer aonde iria. "Ele saiu antes das 16 horas de casa. Não sei o que deu nele para ir para aqueles lados." Na adolescência, Santos foi internado na Fundação Casa, ao ser flagrado com um ex-presidiário que estava armado. Concluiu somente o ensino fundamental. Vivia de bicos, segundo a família. Tanto a Polícia Civil quanto a Militar abriram inquérito para investigar o caso. Ontem, no dia seguinte ao tumulto que terminou com três ônibus e dois carros incendiados, dois coletivos apedrejados e confronto entre policiais e moradores, o clima era de desconfiança no bairro Filhos da Terra. Não se concretizaram os boatos de que seriam promovidos novos protestos. Os rumores levaram, no entanto, pais a desistirem de mandar os filhos à escola. "Vai que acontece tudo de novo", disse a dona de casa Rosimeire Tenório.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.