Divulgação instituição Obras Sociais Irmã Dulce
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Irmã Dulce será canonizada em 13 de outubro

Celebração será realizada no Vaticano, durante o Sínodo para a Amazônia; além de Irmã Dulce, mais quatro beatos serão canonizados

Ana Paula Niederauer e Heliana Frazão, Especial para o Estado

01 de julho de 2019 | 09h12
Atualizado 02 de julho de 2019 | 19h05

José Maurício Bragança Moreira, de 50 anos, ficou cego aos 36 por um glaucoma e tinha de se locomover com um cão-guia. Em 10 de dezembro de 2014, pediu ajuda a Irmã Dulce, colocando uma imagem nos olhos e rezando para reduzir suas dores. Repentinamente e de forma inexplicável, após uma forte conjuntivite ao acordar, se deu conta de que tinha voltado a enxergar. Por causa desse milagre, Santa Dulce dos Pobres será elevada aos altares no dia 13 de outubro, conforme anunciado simultaneamente nesta segunda-feira, 1º, em Roma e em Salvador.

“Eu não pedi para voltar a enxergar, mas ela me devolveu a graça da visão”, afirmou o maestro. O milagre intriga médicos, porque, ainda hoje, os exames realizados em Maurício apontam as lesões que lhe tiraram a visão - e atestam a cegueira.

Conforme o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, o milagre aceito pelo Vaticano passou por três etapas de avaliação: aval científico dado por peritos médicos; pareceres de teólogos e a aprovação final pelo colégio cardinalício. “Uma graça só é considerada milagre após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; e a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter preternatural, não explicado pela ciência.”

Além dos dois milagres reconhecidos pelo Vaticano - um primeiro em 2010, que elevou a freira à categoria de beata -, as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) registram mais de 10 mil outros relatos de fiéis não só do Brasil, mas de outras partes do mundo. Eles se referem à cura de câncer e outras doenças, superação de vícios, sobrevivência a acidentes graves, entre outros pontos.

A arquidiocese planeja uma grande festa. “No dia seguinte à canonização, 14 de outubro, haverá uma missa na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses (em Roma), igreja do século 17. Será a Missa da Santíssima Trindade, agradecendo o dom de Irmã Dulce. E aqui em Salvador a celebração será na Arena Fonte Nova, no dia 20 de outubro”, contou o arcebispo. 

Oficialmente, a santa, que morreu em 13 de março de 1992, passará a ser lembrada no calendário litúrgico católico no dia 13 de agosto. Entre os canonizados lembrados nesta data estão os santos Ponciano e Hipólito.

Além de Irmã Dulce, serão canonizados durante o Sínodo da Amazônia os beatos John Henry Newman, cardeal fundador do Oratório de São Filipe Néri na Inglaterra; Giuseppina Vannini (antes Giuditta Adelaide Agata), fundadora das Filhas de São Camilo, na Itália; Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, fundadora da Congregação das Irmãs da Sagrada Família, na Índia, e Margherita Bays, Virgem, da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, da Suíça.

“Será uma honra para Brasil e ao mesmo tempo um compromisso. Deus está dizendo: é possível ser santo, basta seguir o exemplo desta pequenina”, disse d. Murilo. 

Canonizador. Irmã Dulce se torna santa apenas 27 anos após a morte. Somente a santificação do papa João Paulo II, nove anos após sua morte, e de Madre Teresa de Calcutá, 19 anos após seu falecimento, exigiram menos tempo. Irmã Dulce será a primeira santa nascida no Brasil, que até agora só tem um santo brasileiro de nascimento - Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o Frei Galvão.

O papa Francisco é o que mais criou santos na história. Conforme o serviço Vatican News, foram 879 até outubro. O líder anterior em canonizações foi João Paulo II, canonizado por Bento XVI, que elevou 482 aos altares. As cerimônias foram na Praça São Pedro, no Vaticano, e até em outros países, como Portugal e Sri Lanka. Na lista estão José de Anchieta e Andrea de Soveral, Ambrogio Francesco Ferro, Matteo Moreira e 27 companheiros - conhecidos como mártires de Cunhaú e Uruaçu.

A obra que teve início em casa

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914 em Salvador. Em 1927, a adolescente começou a atender doentes no portão de casa. Seis anos depois, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. No mesmo ano, recebeu o hábito e adotou, em homenagem à mãe, o nome de Irmã Dulce. 

Em 1935, iniciou um trabalho assistencial nas comunidades carentes. Em 1939, houve a invasão de cinco casas, na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que não tinham onde ficar. Dez anos depois, Irmã Dulce ocupou o galinheiro do convento, levando para lá 70 doentes, e iniciando a obra que se mantém até hoje.

 

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