''Irmandade Lula-Dilma não é como Maluf-Pitta''

Marta Suplicy, senadora eleita pelo PT-SP

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

A senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP) criticou ontem, em entrevista ao Estado, a maneira como o aborto foi abordado na campanha, esquivou-se sobre pretensões ministeriais e disse que o PT paulista cometeu "erro" ao dar prioridade à candidatura de Netinho de Paula (PC do B) ao Senado. Leia os principais trechos da entrevista.

Como a sra. vai atuar nesse princípio de governo Dilma?

Com enorme apetite, muita vontade de trabalhar e ser o braço direito de Dilma no Senado.

Pretende voltar a tratar de direitos reprodutivos no Senado?

Eu pretendo sim, principalmente porque acredito que ninguém mais no Brasil hoje tem vontade de, daqui a quatro anos, passar pelo que nós passamos na última eleição - principalmente em relação ao aborto. Devemos caminhar, mas com uma visão muito mais ampla do que numa disputa eleitoral. Nós não temos educação sexual. Aqui em São Paulo, desde meu mandato, nunca mais tivemos. Nós não temos postos de saúde que acolham essa mulher com anticoncepção, não temos a pílula do dia seguinte respaldada e de fácil acesso. Temos uma situação onde a mulher está à deriva, o que é confirmado pelo número de abortos. Essa questão não pode mais ser colocada embaixo do tapete.

Por que na campanha a discussão do aborto tomou esse rumo?

Por uma manipulação da direita, que achou que levaria vantagem nessa discussão, e que acabou se dando mal.

A sra. almeja ser líder do PT no Senado?

Não pensei nisso. Estamos em disputa pela primeira vice ou pela primeira secretaria. O PT não tem uma decisão.

Pensa em voltar à Esplanada?

Tenho oito anos no Senado. É muito tempo, pode acontecer de tudo. E tenho um desafio gigantesco, de chegar como protagonista de um Estado como São Paulo, com mais de 8 milhões de votos e tendo sido prefeita da capital.

Como vê Dilma politicamente?

A Dilma é brilhante e tem sido sempre avaliada como menor do que realmente é. E todo mundo que teve o privilégio de conviver um pouco com ela percebeu isso. Sobre as críticas que dizem que Lula invade ministério, Lula faz isso, faz aquilo, a Dilma foi eleita como continuidade com mudanças do governo Lula. Existe uma irmandade entre ela e Lula que não tem nada a ver com Fleury-Quércia, Maluf-Pitta.

A sra. acredita que ela deveria aparecer mais nas negociações?

Não. Um chefe de Estado tem de se poupar em alguns momentos das negociações, e ela tem alguém muito capacitado para fazer essas conversas, que é o Palocci - que está ajudando muito bem, sob a direção dela.

Sobre sua campanha ao Senado, houve afastamento entre sua candidatura e a de Mercadante?

Em alguns momentos, sim. Mas acho que o PT fez um erro, que inclusive suscitou um pouco esse afastamento em alguns momentos: foi não ter dado prioridade à candidatura ao Senado pelo PT. E com isso nós arriscamos nossa cadeira.

Esse afastamento deixa sequela com o PT de São Paulo?

Da minha parte, não. Vira-se a página e é um novo momento. Estou muito satisfeita que o Mercadante tem a chance de ser ministro.

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