Irmão de Popó é apontado como mandante de assassinato

Luís Cláudio Freitas, também ex-boxeador, ainda teria tentado matar namorado da filha, que saiu de casa

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2009 | 14h23

O inquérito comandado pela Delegacia de Homicídios de Salvador sobre a execução de Moisés Magalhães Pinheiro, de 28 anos, e a tentativa de assassinato de Jonatas Almeida, de 22, crimes cometidos em 9 de setembro, apontam o ex-boxeador Luís Cláudio Freitas, irmão do também ex-pugilista Acelino Popó Freitas, como o mandante do crime. Ele é pai de uma adolescente de 17 anos que namorava Jonatas e teria ficado contrariado com a decisão da filha de fugir de casa para morar com o namorado. O inquérito ainda aponta cinco integrantes da Polícia Militar - um tenente, um sargento e três soldados - e um agente da Polícia Civil como autores ou coautores dos crimes.

 

Segundo a delegada Francineide Moura, à frente do caso, o cruzamento entre informações fornecidas por testemunhas e obtidas com rastreamento de ligações telefônicas entre os envolvidos mostram a participação dos acusados nos crimes. Além disso, foi possível apurar, por meio de GPS, que um carro da 31.ª Companhia Independente da PM em Salvador, onde trabalham os PMs acusados, esteve no local dos crimes no horário que eles teriam sido cometidos, de acordo com o testemunho de Jonatas.

 

A relação entre Luís Cláudio e o policial civil Hamlet Robson Fernandes, apontado no inquérito como o autor dos disparos, teria surgido na academia de boxe mantida pelos irmãos Freitas, na qual o agente é aluno. Popó, que era acusado por Jonatas pelos crimes, por ter estado na casa dele duas horas antes do ataque, para buscar a sobrinha, porém, não é apontado como suspeito. "Não encontramos provas para que ele também fosse indiciado", justifica Francineide.

 

O advogado dos irmãos Freitas, Sérgio Habib, mantém a tese de que seus clientes não têm envolvimento com o caso. "As ligações telefônicas entre Luís Cláudio e o policial civil foram feitas justamente por ele ser aluno da academia, não têm relação com os crimes", alega.

 

O inquérito já foi enviado ao Ministério Público, que agora estuda os próximos passos do processo. Dos envolvidos, apenas a vítima sobrevivente está detida. Durante as investigações, Jonatas confessou ter envolvimento com tráfico de drogas e roubo de carros e teve um mandado de prisão preventiva expedido contra si.

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