Irmãos de Celso Daniel voltam a depor

Nenhuma prova ou fato novo. Assim foi o depoimento nesta segunda-feira do médico João Francisco Daniel e de Bruno José Daniel Filho, ambos irmãos do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel (PT). O médico, para quem a morte do irmão é tudo, menos comum, também não apresentou o nome de nenhuma testemunha que possa confirmar as suspeitas da família - que acredita que Celso foi morto numa queima de arquivo ligada ao suposto esquema de corrupção na administração petista da cidade. Por causa da suspeita da família, o Ministério Público Estadual pediu a reabertura do caso, cujo inquérito havia sido concluído após a prisão de seis acusados do crime. As investigações do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Federal (PF) e do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) concluíram que Celso foi vítima de um seqüestro seguido de morte, um crime comum. João e seu irmão Bruno fizeram uma lista de 18 dúvidas sobre o caso, algumas tiradas de notícias publicadas pelos jornais. "Queremos explicações da polícia." Algumas foram obtidas. Outras não. "A polícia não sabe onde estão os anexos dos laudos que poderiam resolver essas dúvidas", disse João. O DHPP não se manifestou. Segundo o médico, entre as dúvidas não resolvidas estão as contradições entre o depoimento de J.E., de 17 anos, autor confesso dos disparos que mataram o prefeito, e as declarações de um médico-legista feitas à imprensa sobre a trajetória dos tiros para saber se a vítima foi baleada de frente ou de costas. João e Bruno conversaram três horas com a polícia antes de serem ouvidos por uma hora e meia. Na saída, João disse não achar necessário constituir seu advogado como assistente de acusação oficialmente no processo, a fim de que a família tenha acesso aos autos do caso. Como estes estão sob segredo de Justiça, essa seria a única forma de garantir o acesso.

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