Irmãos perdidos na Floresta da Tijuca são resgatados no Rio

Os três irmãos que estavam perdidos desde o final da tarde segunda-feira, 26, na Floresta da Tijuca, na zona norte do Rio, foram encontrados. Wellington Silva de Paula, de 17 anos, e os irmãos João Pedro, de 10, e Matheus, de 9, entraram na mata para tentar resgatar um balão, como anoiteceu, eles não conseguiram voltar para casa. Enfrentaram chuva e frio, mas foram resgatados em bom estado de saúde.Depois de andar em círculos, o trio resolveu esperar o dia chegar para tentar sair da floresta. No início da manhã desta terça-feira, 27, cerca de 50 bombeiros do Grupamento Florestal recomeçaram as buscas, interrompidas no meio da noite anterior. Pouco antes das 9 horas, um vizinho encontrou os garotos e chamou os bombeiros. Os três são moradores de uma comunidade conhecida como Taquaral, de casas simples incrustadas numa encosta de difícil acesso no meio da floresta, entre o Alto da Boa Vista e a Barra da Tijuca. Resgatados pelos bombeiros, os irmãos foram levados para casa. Sem ferimentosUm médico da corporação os examinou, mas eles tinham apenas escoriações leves e cortes nas pernas e pés. O mais novo parecia mais assustado. Wellington contou que ele e os irmãos foram atraídos para a floresta por um balão, por volta das 16 horas. Sem conseguir encontrá-lo, os garotos só se deram conta de que não conseguiram voltar quando já estava escuro. Choveu e eles estavam sem agasalho. Mesmo com a queda de temperatura durante a noite, resolveram permanecer juntos no mesmo lugar até o amanhecer. "Ficou de noite e não dava para voltar. Não dava para enxergar nada. Fez muito frio, mas o pior foi a chuva. A gente achou uma bananeira e pegou um cacho de bananas para encher a barriga", contou.Mais assustado do que os irmãos, Matheus contou, mostrando as escoriações no pé, que caiu num buraco, mas sorri quando lembra que ficou feliz ao ver os bombeiros. "A gente queria, mas não conseguia dormir, não tinha coberta e estava muito frio", lembrou o caçula. Os irmãos, criados na região, não se arrependem da aventura. "Morar aqui perto da floresta é bom demais. Queria morar numa cabana lá dentro", afirmou João.O coronel Marcos Silva, chefe do Estado Maior do Corpo de Bombeiros, temia que os meninos tivessem caído numa ribanceira ou sido vítimas de animais peçonhentos, como cobras. "Vimos um cachorro-do-mato se mexendo, mas ele não atacou a gente", contou Wellington. Em casa, o pai, Evandro de Paula, e a avó deles, Maria José da Silva, passaram a noite em claro. "É a primeira vez que eles somem assim, ficamos preocupados", disse o pai, que já proibiu novas incursões dos meninos na floresta.

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