Irmãos que visitaram avós são sepultados no Morumbi

"O Caio, como sempre, atrasado." Foi essa a última demonstração pública de carinho de Ítalo Luiz Dalprat Jr. aos filhos Caio Augusto Bueno Dalprat e Rafaela Bueno Dalprat, 12 e 17 anos, comparando o dia-a-dia dos garotos com o o fato de o caçula ter sido sepultado depois da irmã no enterro realizado ontem ao meio dia no cemitério do Morumbi. Vítimas da tragédia do Airbus 320 da TAM, os irmãos voltavam no vôo 3054 de Porto Alegre (RS), onde foram visitar os avós. Apática durante toda a cerimônia do enterro, a mãe, Cristiane Loureiro Costa Bueno só se manifestou por três vezes. Pediu a quem tivesse levado fotos ou lembranças a seus filhos que os deixassem sobre os caixões; questionou os funcionários do cemitério se era mesmo necessário cobrir a cova com cimento; e descartou duas das dezenas de coroa de flores que foram enviadas. "As da TAM não, por favor, tirem daqui", decretou, com a aprovação quase silenciosa dos mais de duzentos amigos e familiares presentes. As duas coroas, com as "condolências da família Amaro", foram deixadas no gramado em frente ao túmulo dos irmãos pelos funcionários do cemitério. Ao final, Ítalo, voz embargada, agradeceu a todos que estavam ali pelo carinho e solidariedade. Por trinta minutos, abraçou e conversou com quem foi lhe manifestar pesar. "Eu estou bem, não estou revoltado não. Eu sou paz e amor", disse aos repórteres. "Eu só queria que em vez de gastar toda essa energia para se encontrar culpados, as pessoas canalizassem isso para o amor." Maria Beatriz Aranha Wilmers Bueno e Cinthia de Sá, parentes da mãe dos garotos, lembraram que a família foi recentemente vítima de outro acidente aéreo. Em 4 de abril, o avião da FAB da qual o segundo-tenente Fernando Wilmers de Medeiros, de 25 anos, era co-piloto, caiu após bater em uma antena de celular em Boa Vista (RR). Medeiros era primo dos garotos. "Tem outros três primos dos meninos que estão viajando e a família preferiu nem avisar para não ficarem com medo, porque voltam de avião", contou Maria Beatriz. "Mas vamos evitar aviões".

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