Irmãos são internados após comer bolo com veneno de rato

Doce foi entregue na casa deles e era destinado à mãe, grávida de 5 meses; ninguém foi preso

Camilla Haddad e Daniela do Canto, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

Um bolo de chocolate envenenado, que teria sido feito para matar a empregada doméstica Ivonete Mendes Rodrigues, de 30 anos, grávida de 5 meses, acabou sendo ingerido por três dos seis filhos dela. De 4, 5 e 6 anos, as crianças foram intoxicadas e estão internadas no Hospital do Grajaú, na zona sul - uma delas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Ninguém foi preso.O bolo foi deixado anteontem na porta da casa de Ivonete, no Grajaú. Por fora, tinha cobertura de creme; por dentro, chumbinho - veneno utilizado para matar ratos. A mulher não chegou a experimentar a guloseima - ela tomava banho no momento em que o bolo foi entregue. "Antes, eu suspeitava de uma pessoa. Agora, tenho certeza de que foi a mulher do meu ex-namorado", afirmou.De acordo com Ivonete, a mulher fugiu de casa ontem à tarde. "O que, para mim, foi um atestado de culpa." Policiais do 25º DP (Parelheiros) passaram o dia na região e também não localizaram a acusada, que mora a poucos quarteirões da empregada doméstica.Para Ivonete, a suspeita tentou matá-la por ciúmes: o seu ex-namorado é pai da filha que espera e que deverá nascer em julho. O doce, embalado numa caixa plástica, estava acompanhado de um cartão cor-de-rosa e de um brinco prateado. No cartão, com caligrafia correta, havia a frase: "O bolo é para adoçar sua boca e o brinco para te deixar mais bonita." O admirador secreto também dizia que, no dia seguinte, passaria na residência para saber se Ivonete tinha gostado. Os três filhos mais velhos, que também estavam em casa, não comeram o doce.Uma das meninas, de 11 anos, gritou para a mãe sair do banho porque os irmãos mais novos estavam passando mal. Uma das crianças reclamava de dores abdominais. Todas foram levadas para o hospital. SOLTEIRAIvonete está grávida de Luiza Eduarda e é mãe solteira. Ela viveu cerca de um ano com o pai da criança, mas o relacionamento teria acabado. A reportagem não conseguiu localizar a acusada.

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