Irmãos tentaram salvar Oswaldo

Mesmo feridos pelo muro de concreto, eles queriam ajudar o irmão, mas não foi possível; enterro ocorreu ontem

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 05h14

Começou ontem o adeus aos mortos no acidente com o avião da TAM. O empresário Oswaldo Luiz de Souza, de 49 anos, foi o primeiro a ser enterrado, no Cemitério da Quarta Parada, na zona leste. Trabalhava com transporte havia 20 anos. Ele, três irmãos e o cunhado eram responsáveis pela distribuição de medicamentos, principalmente vacinas, feitos por empresas farmacêuticas de São Paulo.Luis Fernando de Souza, um dos irmãos da vítima, estava chegando ao prédio da TAM Express no momento do acidente. ''''Não dá para esquecer. Eu estava lá e vi meu irmão naquela situação e não pude fazer nada'''', lamentou. Oswaldo foi morto no desabamento de um muro do prédio destruído pela queda do Airbus da TAM. Os irmãos Paulo César e Romualdo também estavam no local na hora do acidente e foram atingidos pelos escombros, mas sem gravidade. Romualdo ainda tentou socorrer o irmão mais velho.A Trans Model, transportadora da família, era uma empresa terceirizada da TAM Express. No acidente, a companhia perdeu três vans que estavam estacionadas na área do galpão destruído pelo avião. Oswaldo tinha planos para aumentar o número de veículos da transportadora e ampliar a frota. Ele sempre empregou todos os irmãos e era considerado arrimo da família. O empresário tinha uma filha de 21 anos.A sobrinha de empresário, Vanessa Cristina Feitosa, de 23 anos, lembrou de um traço que poucos conheciam do tio. ''''Ele era maratonista. Sua maior alegria era acordar às 5 horas para treinar'''', contou. Oswaldo participou da Corrida de São Silvestre em janeiro.A família ficou sabendo do acidente após receber uma ligação de Paulo César, quando ele estava sendo socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ao assistir ao acidente aéreo pela televisão na noite de terça-feira, os parentes dizem ter reconhecido uma das vans da transportadora amassada no meio dos destroços do galpão. Romualdo passou a noite no hospital São Paulo, zona sul da capital, em estado de observação, pois reclamava de dores no tórax.Paulo César ficou ferido na cabeça com a queda da parede de concreto e foi liberado após atendimento no mesmo hospital. Segundo ele, a primeira coisa que pensou foi em salvar o irmão mais velho. Paulo conta que a turbina do avião ficou a cerca de 1,5 metro de Oswaldo. Socorrido no Hospital São Paulo, Paulo César estava em estado de choque e nervoso por não receber notícias do irmão.Os colegas de trabalho lamentam a perda. ''''Lembro que quando ele chegava num lugar enchia a gente de alegria'''', diz Alberto Siqueira, de 42 anos. A mulher de Oswaldo teve de ser hospitalizada com problemas de pressão alta e não acompanhou o enterro.ADVOGADOÀs 17 horas, foi enterrado no Cemitério do Araçá, na Avenida Doutor Arnaldo, zona oeste, o advogado Fábio Velloza, de 36 anos. A cerimônia foi marcada pelo silêncio de cem amigos do escritório onde ele trabalhava, na capital, e parentes desolados. Fábio havia viajado para Porto Alegre para dar duas aulas de Direito. ''''Ele estava noivo, com o casamento marcado e uma carreira promissora'''', contou um amigo, muito abalado.O corpo do empresário João Francisco Caltabiano, de 40 anos, foi enterrado no Cemitério do Morumbi, zona sul, às 17 horas. A cerimônia foi restrita à família e amigos. O sócio do Grupo Caltabiano, Pedro Augusto Linhares Caltabiano, de 38 anos, e o diretor Ciro Numada também morreram no acidente. Uma quarta pessoa viajava com o grupo. Era um arquiteto que prestava assessoria à Caltabiano, segundo Luís Tambor, diretor da Land Rover, marca representada pela Caltabiano. O executivo afirma que a empresa não sabe o nome da quarta vítima.Os irmãos Caltabiano foram a Porto Alegre tratar das operações de uma das marcas representadas pelas concessionárias. Também deveriam fechar negócios, como a compra de novas concessionárias.

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