Isolado pelo PSB, Ciro ataca Lula e diz que Serra é mais preparado que Dilma

Deputado diz que pode encerrar vida política e critica o presidente nacional do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral. Afirma que os dois 'não estão no nível que a História impõe a eles'

DANIEL BRAMATTI e ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Após a reunião com a cúpula do PSB que sacramentou o fim de sua candidatura à Presidência, o deputado Ciro Gomes (CE) criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que o tucano José Serra é mais preparado que a petista Dilma Rousseff para enfrentar uma eventual crise cambial no futuro.

"Lula está navegando na maionese", disse Ciro, na noite de quinta-feira, em entrevista ao portal de internet iG. "Ele (o presidente) está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz: "Presidente, tenha calma". No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos (ex-ministro da Justiça) fazia isso. Agora ninguém faz."

Ontem à noite, Ciro voltou à carga. Em entrevista ao telejornal SBT Brasil, reclamou do fato de o presidente não ter discutido diretamente com ele a questão eleitoral. "Por que o presidente não trata esse assunto comigo, cara a cara, francamente?"

Também criticou José Dirceu por bombardear suas pretensões presidenciais. "O Zé Dirceu esteve no Ceará, na casa do meu irmão, que é governador, para dizer, de forma muito delicada, que o PT retiraria o apoio à candidatura dele (à reeleição) se eu fosse candidato a presidente."

No programa, ele também apontou o que vê como falhas na campanha de Dilma, como o fato de a petista desembarcar em Minas Gerais quando o Estado ainda se recuperava do trauma que foi a disputa entre Serra e Aécio Neves no PSDB. "A Dilma desce lá e vai visitar o túmulo do Tancredo. E aí a turma já mete na testa dela, e não é culpa dela, que o PT se recusou a apoiar Tancredo no Colégio Eleitoral." Na sequência, lembrou Ciro, a pré-candidata do PT seguiu para o Ceará sem falar com ele ou com o governador Cid Gomes.

Em outra entrevista, para o programa É Notícia, da Rede TV, que vai ao ar amanhã à noite, ele disse ao apresentador Kennedy Alencar que se sente "sabotado e isolado" pelo PT. Ao se referir a Serra, chamou o tucano de "chato, autoritário e intransigente".

Fim de carreira. Na entrevista ao iG, concedida na noite de quinta-feira, o deputado e ex-ministro da Integração Nacional anunciou que pode encerrar sua carreira política e atacou o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral. Disse que os dois "não estão no nível que a História impõe a eles". Em sintonia com o Palácio do Planalto, Campos atuou como um dos promotores do esvaziamento da candidatura própria do PSB.

Adversário ferrenho de Serra, Ciro, segundo o iG, apontou o tucano como favorito para a sucessão de Lula. "Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar esta eleição. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa. Mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. Mais capaz inclusive de trair o conservadorismo e enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos."

Na TV, Ciro negou ter se manifestado ao iG com essas palavras, mas repetiu que o tucano é mais "preparado" que Dilma por já ter exercido diversos cargos públicos, como os de governador de São Paulo e prefeito da capital.

Confronto. Segundo o iG, o parlamentar descartou a possibilidade de entrar em choque com o presidente durante a campanha. "Acompanho o partido. Não vou confrontar o Lula. Não vou confrontar a Dilma."

Ciro, que foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, previu ainda turbulências econômicas no futuro próximo. "Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase econômica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita." E acrescentou: "Como o PT, apoiado pelo PMDB, vai conseguir enfrentar esta crise? Dilma não aguenta. Serra tem mais chances de conseguir."

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