Itália extraditará para o Brasil israelense condenado por tráfico de órgãos

Gedalia Tauber, de 78 anos, era procurado pela Interpol desde 2009, quando fugiu do Brasil após receber autorização para viagem

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2014 | 17h32

RECIFE - Envolvido na Operação Bisturi, deflagrada em março de 2003 para investigar tráfico de órgãos de seres humanos, o ex-oficial do exército israelense Gedalia Tauber, 78 anos, será extraditado da Itália para o Brasil, onde deverá desembarcar neste sábado, 2, para cumprir o restante da pena de prisão a que foi condenado. Ele estava foragido desde 2009, quando recebeu autorização judicial para fazer uma viagem de 30 dias e não retornou.

Desde então, era procurado pela polícia internacional (Interpol). Tauber foi preso no dia 6 de junho ao  tentar entrar na Itália, saído de Boston, nos Estados Unidos. Policiais desconfiaram do seu passaporte quando ele desembarcou no aeroporto de Fiumicino, em Roma, e, com base em uma pesquisa na base de dados da Interpol, descobriram que ele era procurado em todo o mundo. A extradição foi solicitada pelo governo brasileiro.

O israelense foi condenado a 11 anos e 9 meses por tráfico de órgãos em continuidade delitiva (quando um crime é praticado duas ou mais vezes de forma semelhante) e formação de quadrilha. Sua pena foi reduzida posteriormente para 8 anos e 9 meses. Falta o cumprimento de 4 anos, 9 meses e 6 dias.

Dois policiais federais e um agente da Interpol em Pernambuco seguiram para a Itália nesta segunda-feira, 28, para escoltarem Tauber, que, ao desembarcar no Recife, será encaminhado para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna, onde ficará à disposição do juiz da 1.ª Vara Regional de Execução Penal.

História. A Operação Bisturi teve duração de nove meses e desarticulou uma quadrilha de traficantes de pessoas para retirada de órgãos no Brasil com ramificações no exterior - África do Sul e Israel. A quadrilha aliciava pessoas pobres no Recife e em cidades do interior pernambucano para a retirada de seus rins, que eram oferecidos a pacientes em Israel e África do Sul.

Ao todo foram presas e condenadas 12 pessoas no Brasil (que trabalhavam no aliciamento), 2 em Israel (responsáveis pela fraude no sistema de saúde para a realização das cirurgias) e 20 na África do Sul (médicos e enfermeiras que realizavam as operações). Durante as investigações foi detectada a ida de 47 pessoas para o Hospital Sant Agostini em Durban, na África do Sul. As pessoas que eram levadas para retiradas dos rins recebiam de R$ 5 mil a R$ 30 mil. A Polícia Federal estima que aproximadamente US$ 4 milhões tenham sido desviados pela quadrilha nessas intervenções cirúrgicas.

O caso levou o jornalista Julio Ludemir a escrever o livro-reportagem Rim por Rim, acompanhando o antes e o depois na vida dos vendedores de rins, moradores de bairros pobres do Recife.

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