Itália pode convocar embaixador para consulta sobre Battisti

Relações Parlamentares diz que é possível entrar com recurso no STF; partido de direita marca protesto no país

Efe,

21 de janeiro de 2009 | 19h21

O governo italiano estuda a possibilidade de chamar para consultas seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, depois de o ministro da Justiça, Tarso Genro, conceder asilo político ao ex-ativista Cesare Battisti, condenado na Itália à prisão perpétua. O anuncio foi feito nesta quarta-feira, 21, pelo Ministério de Assuntos Exteriores italiano em comunicado divulgado em Roma.   Veja também: Tarso não comenta pressão da Itália no caso Battisti Gilmar Mendes ouve embaixador italiano sobre o caso Battisti diz que recebeu com 'alívio' decisão de Genro   TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Documento: Processo do Ministério Público que defere extradição de Battisti     Nesta quarta também, o ministro de Relações Parlamentares, Elio Vito, confirmou à Câmara dos Deputados que seu governo não descarta a possibilidade de apresentar um recurso no Supremo Tribunal Federal. As autoridades italianas continuam tentando pressionar o governo brasileiro para que reconsidere sua decisão de conceder asilo político a Battisti, ex-ativista de esquerda radical, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos.   O anúncio acontece horas depois de o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, assegurar à imprensa local que discutiria esta possibilidade com o titular de Exteriores, Franco Frattini. Estão previstas para esta quinta-feira, 22, duas concentrações em frente às legações diplomáticas brasileiras na Itália, uma em Milão e outra em Roma.   Os protestos serão comandados pela líder do partido de centro-direita Movimento para a Itália, Daniela Santanche, que não descarta até mesmo uma greve de fome contra a decisão brasileira. "Acho que o governo deve retirar imediatamente o embaixador da Itália no Brasil enquanto Battisti não for extraditado à Itália, especialmente em respeito às vítimas e à posição tomada pelo presidente (da República italiana, Giorgio) Napolitano", disse Santanche em comunicado.   Também na quinta, militantes do Movimento para a Itália começarão uma greve de fome em Roma, enquanto em Milão haverá uma série de declarações do filho de uma das vítimas do assassino Battisti, acrescentou.

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