Italiano diz que decisão é ''contra sentido de Justiça''

Em nota, Berlusconi firma ''compromisso de continuar a batalha para que Battisti'' seja mandado de volta ao país

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2011 | 00h00

A decisão de Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar Cesare Battisti causou indignação na Itália. "É uma posição contrária ao mais elementar sentido de Justiça", protestou em nota o presidente do Conselho da Itália, Silvio Berlusconi. "Gostaria de expressar minha profunda tristeza e pesar pela decisão tomada pelo presidente Lula de negar a extradição do assassino Cesare Battisti, apesar dos repetidos apelos e pressões em todos os níveis do lado italiano."

O premiê também lembrou os parentes de vítimas do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), ao qual Battisti pertenceu. "Expresso às famílias das vítimas a minha solidariedade, minha proximidade e o compromisso de continuar a batalha para que Battisti seja entregue à Justiça italiana", disse Berlusconi, que se recusa a considerar o caso encerrado. "A Itália não vai desistir de fazer valer seus direitos em todos os níveis."

Entre familiares de vítimas dos "anos de chumbo", o sentimento é de desilusão. O meio político italiano expôs sua contrariedade tão logo a decisão foi anunciada.

Em Milão, Sabina Rossa, de 48 anos, deputada do Partido Democrático e filha do sindicalista Guido Rossa, executado por outro grupo extremista italiano em 1979, as Brigadas Vermelhas, lamentou a decisão de Lula, mas também lembrou a responsabilidade conjunta da França, que havia negado a extradição de extremistas de esquerda da Itália nos anos 90. "O Brasil e Lula têm uma grande responsabilidade, mas é preciso dividi-la. A França abriu o precedente usado pelo governo brasileiro e, portanto, tem uma parte da responsabilidade", disse ao Estado.

Para Sabina, o argumento da perseguição política é lamentável. "É uma ofensa. A Itália é uma democracia. Somos um país que respeita os direitos humanos."

Se na Itália a repercussão foi negativa, na França, onde Battisti viveu por mais de uma década, a recusa em extraditá-lo foi comemorada. "É uma linda decisão", elogiou Éric Turcon, ex-advogado do italiano em Paris. "Não se poderia deixar trancafiado alguém durante 30 anos sem que ele jamais tenha tido a oportunidade de se explicar diante dos juízes."

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