Italiano estava disfarçado quando foi preso

O italiano Vicenzo Consoli, de 57 anos, condenado na Itália por assassinato, seqüestro e porte de armas, e que morava no Brasil usando identidade falsa desde 1980, estava disfarçado com peruca e óculos quando foi preso na madrugada desta segunda-feira. Consoli esperava pela mulher, pela filha e pelo advogado num carro de uma emissora de televisão. Apresentou identidade falsa em nome de Antonio Vita e num saquinho plástico, a polícia apreendeu outros documentos com os nomes de Antonio Gravina e de Alessandro Ghezzi. Com o nome de Vicenzo Consoli disse não ter nenhuma ligação. "Esse nome desapareceu quando sai da Itália e eu nem lembrava mais."O delegado Manoel Camassa, da Delegacia de Estelionatos, do Departamento de Investigações sobre o Crime organizado (Deic), responsável pela prisão, disse que Consoli não reagiu. "Eu ia dar uma entrevista para falar sobre minhas acusações na Itália e pretendia discutir com a família se fugiria do País ou me entregaria", disse Consoli ao delegado.Fugitivo desde dezembro deste ano quando soube que a Polícia Federal o procurava em Jundaí, a pedido das autoridades judiciárias da Itália, Consoli esteve em Foz do Iguaçu e voltou para São Paulo na semana passada para discutir o futuro com a mulher e com a filha. Sabia que estava sendo procurado pela polícia em mais de 180 países, a pedido da Interpol. Acusado de pertencer à Máfia, Consoli, nascido na cidade de Piazza Armerina, na Sicília, foi preso por porte de armas em Messina, em 1978, e condenado a dois anos. Foi recolhido na clínica psiquiátrica Castiglioni Stivieri de onde fugiu. Ele disse ter conseguido um passaporte suíço e comprou sua fuga do hospital. Da Suíça viajou para o Brasil onde morava o tio Vicenzo Francisco Consoli, também siciliano, e casado com a brasileira Ermínia Squiano.O tio que morreu em junho do ano passado, na Itália, era dono de escolas em São Caetano do Sul e de uma empresa de táxi aéreo que funciona com dois aviões no Aeroporto de Congonhas. Consoli, que, segundo a Polícia Federal, chegou a morar com a mulher do tio, separou-se dela e foi para Jundiaí onde casou e teve dois filhos. Trabalhava em Jundiaí e morava com a família em Várzea Paulista. O italiano foi autuado em flagrante no Deic por uso de documento falso. Para certificar-se de que se trata da mesma pessoa, a Polícia Federal fez a comparação das digitais mandadas pela Justiça italiana com as que ele deixou em sua ficha na Delegacia Marítima Aérea e de Fronteiras da PF, ao obter a carteira de estrangeiros com o nome de Alessandro Ghezzi. Em suas entrevistas à emissoras de televisão, Consoli confessou ter comprado os documentos falsos com facilidade: da carteira de estrangeiros à cédula de identidade e identificação da Receita Federal - "tudo original". "Com dinheiro a gente compra qualquer coisa."Veja notícia relacionada abaixo com trechos da gravação na qual o italiano ameaça um ex-funcionário de morte.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.