Italiano que beijou a filha na boca volta para a Itália

O turista italiano de 48 anos, preso em Fortaleza após beijar a filha de 8 anos na boca e ser detido pela nova lei do estupro, já voltou para Itália. Ele, a filha e a mulher, uma cearense de 38 anos, viajaram ontem num voo fretado, o 172 da Livingston. O turista, que é casado há 12 anos, sempre passa férias em Fortaleza. Ele passou mal no embarque e o voo atrasou meia hora.

Lauriberto Braga, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

Preso em flagrante no dia 1º, o italiano passou nove dias detido, sendo cinco dias numa cela do 2º Distrito Policial e quatro num apartamento do Hospital Gênesis, de onde foi solto anteontem, no fim da tarde, após uma crise hipertensiva. O italiano disse ao embarcar, durante entrevista via celular do advogado, Flávio Jacinto, que pretende voltar ao Brasil, mas que será "moderado" no carinho com a filha.

Ele informou que não pretende processar o casal de turistas que o denunciou nem o Estado brasileiro pela prisão. O turista é construtor na província de Goidonia, a 20 km de Roma, e pretende voltar às atividades profissionais nesta semana.

Bastante abalado com o caso, disse que a filha ainda não entendeu nada do que aconteceu e que a mulher quer esquecer todo o episódio. Para ele houve um mal-entendido, pois é costume italiano os pais beijarem os filhos na boca.

O embarque movimentou o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. O turista conseguiu driblar a imprensa e só falou pelo celular do advogado, quando já estava na sala de embarque, recebendo atendimento médico. A mulher dele ressaltou que pretende voltar ao Brasil já em 2010. "Pretendemos voltar sim. Mas neste momento estamos tentando passar o máximo de tranquilidade para ele e para minha filha."

Ao assinar o alvará de soltura, a juíza Cristiane Pinto de Faria determinou que o turista ficasse à disposição da Justiça brasileira. Ele pode ser ouvido no processo por carta rogatória. Mas não pode viajar para fora da Itália sem antes comunicar a Justiça do Brasil com oito dias de antecedência, não pode mudar de endereço sem prévia autorização da Justiça brasileira e deve comparecer a todos os atos processuais até o data do julgamento.

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