AP-7/1/2015
AP-7/1/2015

Itamaraty busca outros países contra execuções

Ideia é obter apoio de nações que têm condenados à morte na Indonésia, como a Holanda; Dilma tratou do caso com chanceler

Rafael Moraes Moura, enviado especial a La Paz, e Tânia Monteiro, de Brasília, O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2015 | 21h11

Após a execução no sábado do brasileiro Marco Archer, em Jacarta, o Itamaraty vai procurar outros países que também tenham cidadãos condenados à morte pelo governo da Indonésia na tentativa de fazer uma mobilização conjunta pela defesa da vida dessas pessoas. 

Apesar das perspectivas envolvendo o surfista Rodrigo Muxfeldt Gularte serem consideradas ruins pelo governo, o Itamaraty está empenhado em mobilizar todos os esforços possíveis para evitar a aplicação da pena de morte a mais um brasileiro. O assunto foi tratado em reunião da presidente Dilma Rousseff com o chanceler Mauro Vieira nesta quarta-feira, 21, no Palácio do Planalto, antes da visita de Dilma à Bolívia. Segundo o Estado apurou, o governo da Holanda deverá ser procurado, pois também tem um cidadão no corredor da morte. 

“Vamos buscar uma mobilização maior, procurar outros países”, disse uma fonte à reportagem. O governo brasileiro continua negociando, em várias instâncias, não só a transferência de Gularte para um hospital psiquiátrico, como até a reversão da pena. A embaixada em Jacarta pediu às autoridades indonésias que Gularte seja transferido para uma clínica. 

“O Itamaraty continua a realizar as gestões junto ao governo da Indonésia, que já estavam anteriormente em curso, de modo a esgotar todas as possibilidades de comutação da pena do nacional Rodrigo Gularte permitidas pelo ordenamento jurídico da Indonésia”, informou a assessoria do Itamaraty, em nota ao Estado

Para o Itamaraty, o tema tem sido tratado com a “máxima prioridade”, em razão do “caráter humanitário que reveste o caso”. Além disso, o Itamaraty alerta que o estado de saúde do brasileiro é “motivo de preocupação e inspira cuidados”. 

“Nesse sentido, têm sido feitas visitas consulares ao brasileiro, contatos frequentes com sua família, assistência in loco para que os familiares possam visitá-lo sempre que desejarem e a legislação local permitir”, destacou a pasta. O Itamaraty ainda não recebeu informação oficial sobre a data prevista para a execução do surfista Rodrigo Gularte. 

Gularte foi preso em 2004, no aeroporto de Jacarta, com seis quilos de cocaína escondidos em oito pranchas. O surfista, que seguia para Bali, estava com dois amigos, mas assumiu a autoria do crime de tráfico internacional sozinho. Gularte perdeu todos os recursos possíveis na Justiça da Indonésia. 

Telefonema. Como ainda não foi comunicada a data da execução de Gularte, não há, por enquanto, previsão de um novo telefonema da presidente Dilma Rousseff para o presidente da Indonésia, Joko Widodo. Os dois conversaram por telefone na semana passada, quando Dilma fez um “apelo pessoal” em favor de Marco Archer e de Rodrigo Muxfeldt Gularte. 

Após a execução de Archer, Dilma emitiu nota em que lamenta o ocorrido e considera que o episódio afetava “gravemente” as relações entre Brasil e Indonésia. O embaixador do Brasil naquele país foi chamado para consultas, gesto forte nas relações diplomáticas, considerado um sinal de represália à execução do brasileiro. 

Dentro do Palácio do Planalto causou uma péssima repercussão a declaração da ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos Maria do Rosário, que questionou o interesse pelo local onde as cinzas de Archer serão levadas no Brasil e afirmou que o brasileiro não era “herói, era traficante”. 

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