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Itamaraty confirma que fãs de K-pop foram vítimas de tráfico sexual na Coreia

Sete brasileiras foram atraídas para o país asiático com a promessa de que poderiam se tornar artistas pop

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2019 | 09h28

SÃO PAULO - O Ministério das Relações Exteriores confirmou que sete mulheres brasileiras foram vítimas de tráfico sexual na Coreia do Sul. Cinco homens foram presos no domingo, 1º, suspeitos de prostituí-las depois de convencê-las a viajar para o país asiático com a promessa de que poderiam se tornar artistas de K-pop - expressão que  designa mundialmente a música pop sul-coreana.

O Itamaraty informou, em nota, que acompanha o caso por meio da embaixada brasileira em Seul e que presta assessoria consular às vítimas.

De acordo com o jornal The Korea Times, os suspeitos entraram em contato com as vítimas através das redes sociais em julho. As brasileiras - a maioria delas entre 20 e 30 anos - se interessavam pela cultura pop coreana.

Para convencer as brasileiras a viajar para a Coreia do Sul, os homens prometeram ajudá-las a se tornarem artistas ou modelos no país e lhes forneceram passagens de avião de ida e volta gratuitamente. As vítimas chegaram à Coreia em meados de julho.

Ainda segundo o jornal, depois da chegada das brasileiras ao país asiático, os suspeitos confiscaram os passaportes delas, confinaram as vítimas em alojamentos das cidades de Goyang e Paju, na província de Gyeonggi, e cancelaram os voos de volta ao Brasil.

Em seguida, os homens "venderam" as vítimas a casas de prostituição pelo valor de 2 milhões de wons por mulher, o equivalente a cerca de R$ 6.800.

Os homens passaram, então, a ameaçar as mulheres e disseram que elas teriam que trabalhar para pagar o custo das passagens aéreas. Eles também declararam que as vítimas seriam acusadas de prostituição se denunciassem o caso à polícia local.

De acordo com The Korea Times, as mulheres aproveitaram um descuido dos homens que as vigiavam e conseguiram entrar em contato com a embaixada brasileira em Seul no dia 17 de agosto. Depois de ouvir a embaixada, a polícia local fez uma operação de resgate e as libertou.

As vítimas foram levadas a abrigos de proteção para mulheres imigrantes, e os homens foram presos acusados de cárcere privado, tráfico humano e exploração sexual.

Escândalos sexuais mancham imagem da indústria do entretenimento coreano

Nos últimos meses, escândalos sexuais têm abalado o universo do K-pop, força motriz da exportação musical sul-coreana. Alguns dos grandes nomes dessa indústria foram acusados nos últimos meses de drogarem e estuprarem mulheres e administrarem uma ampla rede de prostituição. Muitos dos acusados negam as acusações.

Um dos pivôs das polêmicas está Lee, do grupo Big Bang, conhecido como Seungri, e a boate Burning Sun, da qual ele é sócio. O estabelecimento fica no bairro de Gangnam, em Seul. Os promotores alegam que o clube era um refugio para uso de entorpecentes e que ele oferecia serviços de prostituição para clientes VIP.

Lee é investigado com base em acusações de prostituição, uso de drogas para abusar de mulheres e de filmá-las praticando sexo sem o consentimento delas. O caso foi remetido aos promotores em julho, mas não foi anunciada data para início do processo legal.

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