Já houve cinco tentativas com ''pombos-correio''

Especialista destaca que aves não conseguem levar encomendas pesadas; algumas foram achadas feridas

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Se entrar com celular está difícil, o jeito é tentar pelo ar. Só neste ano, os agentes prisionais do Estado detectaram cinco casos de presos que tentaram usar pombos comuns como se fossem pombos-correio. O primeiro caso ocorreu em Casa Branca e o último, na Penitenciária de Hortolândia, perto de Campinas. "Lá em Casa Branca acharam o pombo morto com uma sacolinha com uma placa de celular dentro dela", afirmou José Reinaldo da Silva, coordenador dos Presídios da Região Central do Estado.Ate então, nenhum pombo havia sido usado na tentativa de fazer entrar celular ou droga em presídio. Outros casos se sucederam na Penitenciária de Marília e nas cadeias de Sorocaba. Em uma delas, uma visita foi surpreendida tentando sair da prisão com dois pombos. As aves estavam amarradas dentro de um saco plástico escondido em uma caixa.Em Sorocaba, dois pombos foram capturados pelos agentes em março e a direção de um dos presídios decidiu instalar uma tela de proteção em cima do pátio da cadeia, evitando não só o pouso dos pombos, mas também dificultando o lançamento de outros objetos por cima da muralha da penitenciária. "Os guardas das muralhas foram orientados a verificar o comportamento dos pombos e assim se capturou o pombo em Hortolândia", afirmou o coordenador.Era 24 de abril. No Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade, um guarda de muralha percebeu um pombo que voava com dificuldade e não conseguia acompanhar os colegas do bando. O agente logo desconfiou. Apanhou um pão e jogou migalhas perto da muralha para atrair os pássaros e ficou esperando. Quando o pombo suspeito chegou, o agente jogou um cobertor em cima do animal e capturou a ave."Ele estava com a asa ferida porque tentaram fazê-lo carregar um celular inteiro, mas a ave era incapaz de aguentar esse peso", afirmou o coordenador. Sindicâncias foram abertas nos presídios para tentar descobrir quais presos estavam por trás dessas tentativas, mas até agora nada foi descoberto. A suspeita é de que os detentos se aproveitem de aves que vivem dentro dos presídios. Esses pombos seriam levados para fora das penitenciárias por visitantes. O celular seria então amarrado no pássaro, que, solto, devia voltar à prisão."É comum pombos viverem em telhados de presídios", afirmou Silva. Além de pombos, os presos também estão usando pipas e até o aeromodelo de um helicóptero - os bandidos treinaram dois meses para dirigir o aparelho, mas foram apanhados quando se preparavam para fazê-lo pousar dentro da penitenciária.Segundo o presidente da Federação Columbófila Brasileira, Márcio Mattos Borges de Oliveira, o peso de um celular é muito maior do que o suportado por um pombo-correio. "A ave tem de 300 a 400 gramas e não consegue voar carregando 100 gramas. Muito menos os pombos comuns", disse. No caso dos presídios, os pombos usados pelos detentos são muito diferentes dos pombos-correio. "É como comparar um pangaré com um puro-sangue", disse.GRAMASSegundo ele, há pombos capazes de transportar mensagens de um, dois gramas. Mas seria realmente preciso que ele fosse criado dentro do presídio e levado para fora por uma visita a fim de que, quando solto, voltasse para o criador. "É assim que funciona em um Exército. O pombo volta para o criador", afirmou. No Estado existem cem criadores de pombos-correio; e cerca de 700 no País.Embora o pombo-correio não tenha mais uso econômico, ele ainda é usado por militares, pois se trata de um tipo de comunicação difícil de ser interceptado. "No Brasil, nós usamos os pombos apenas em corridas", afirmou Oliveira, que é professor de Logística do câmpus de Ribeirão Preto da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).FRASESJosé Reinaldo da SilvaCoordenador dos presídios "Lá em Casa Branca acharam o pombo morto com uma sacolinha com uma placa de celular dentro dela"Márcio Mattos Borges de OliveiraPresidente da Federação Columbófila "No Brasil, nós usamos os pombos apenas em corridas"

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