Já são 15 os presos por emigração ilegal de crianças para os EUA

A Polícia Federal prendeu hoje, em sete Estados, 15 pessoas envolvidas com uma quadrilha especializada na emigração ilegal de crianças para os Estados Unidos. Foram realizadas prisões no Rio, São Paulo, Tocantins, Maranhão, Bahia, Ceará e Pará. Três pessoas ainda estão foragidas. As investigações iniciadas em outubro do ano passado revelaram que os envolvidos cobravam para enviar do Brasil para os Estados Unidos crianças e adolescentes separadas dos pais, que vivem ilegalmente naquele país. O grupo também enviava adultos interessados em trabalhar em solo americano, que se faziam passar por babás das crianças. A Operação foi batizada de "Cegonha" e contou com a colaboração da embaixada dos Estados Unidos, em Brasília. A líder da quadrilha, Fátima Eliane Taumaturgo de Mesquita, foi presa em Fortaleza. Segundo os delegados federais da Delegacia de Imigração, ela e os comparsas cobravam até US$ 14 mil pelo envio ilegal das crianças. A quadrilha contratava profissionais liberais e funcionários públicos, que não têm dificuldades para conseguir o visto de turista no Consulado dos Estados Unidos. Essas "cegonhas" viajavam com as crianças como se fossem suas filhas, usando certidões de nascimento forjadas ou documentos falsos de autorização. O delegado Fábio Galvão, responsável pelo inquérito, não descarta a possibilidade de o esquema ter sido utilizado para a adoção irregular de crianças brasileiras. Ele contou que muitas crianças eram levadas para São Paulo, sob os cuidados de Maria Júlia Silva de Oliveira, também presa hoje na capital paulista, para fazer uma espécie de estágio e aprender a história que deveriam contar na alfândega com os falsos responsáveis. A PF estima que, desde 2002, mais de 150 pessoas tenham entrado nos Estados Unidos com o esquema, entre elas pelo menos 40 crianças.

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