Já são 183 os mortos

O Ministério Público Federal pediu ontem à Justiça a interdição total do Aeroporto de Congonhas até que se concluam as investigações da maior tragédia da aviação brasileira, que deixou mais de 190 mortos. Oficialmente, havia 186 pessoas a bordo do Airbus A-320 da TAM, que ficou desgovernado durante o pouso em Congonhas anteontem e explodiu depois de se chocar com um depósito de cargas da companhia. Mas ainda havia dificuldade de precisar o número de mortes porque não se sabia quantas vítimas estavam no avião, quantas eram funcionárias do depósito e quantas estavam perto do local do desastre. Até 22 horas de ontem, as equipes de resgate haviam retirado 180 corpos dos escombros do depósito; outras 3 morreram a caminho de hospitais; e a TAM informou que 6 funcionários do depósito continuavam desaparecidos. O resgate iria prosseguir durante a madrugada e bombeiros afirmaram que ainda havia cerca de 20 corpos a serem retirados dos escombros. Até a noite, só 12 pessoas haviam sido identificadas pelo Instituto Médico-Legal. As investigações sobre o acidente estavam concentradas no pouso do Airbus. Os primeiros dados do Centro de Investigações e Prevenções de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com base em vídeos da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), mostram que o avião não freou. Estava em velocidade acima do normal a 400 metros do fim da pista e não chegou a levantar vôo de novo. Tanto que o trem de pouso destruiu uma defensa na extremidade da pista, antes de atravessar a Avenida Washington Luís e se chocar com o prédio do depósito. A expectativa é de que a caixa-preta, enviada aos Estados Unidos, indique se houve falha em equipamentos ou erro humano. Outra possibilidade é de que problemas decorrentes da pista molhada tenham impedido os pilotos de arremeter. O laudo final sobre a tragédia pode demorar dez meses. As famílias, depois de uma madrugada de informações desencontradas, culparam o poder público pela tragédia. O governo aposta na hipótese de falha mecânica ou de erro do piloto para afastar a ligação do acidente. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já definiu a saída do presidente da Infraero, José Carlos Pereira. E o ministro da Defesa, Waldir Pires, deverá ter as atribuições esvaziadas.

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