KáTIA CARVALHO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS
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Jacarés-de-papo-amarelo invadem as ruas de Florianópolis

Bombeiros receberam ligações avisando que mais de 15 animais tomavam banho de sol em frente ao Shopping Iguatemi

Marcone Tavella, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 09h38

As fortes chuvas, que atingiram Florianópolis nas últimas semanas, provocaram um fenômeno surpreendente na ilha: a tomada das ruas pelos jacarés-de-papo-amarelo.

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A espécie ameaçada de extinção vive em mangues e áreas alagadiças. De vez em quando, um é visto caminhando pela cidade. Mas, nos últimos dias, o corpo de bombeiros recebeu 50 chamadas para resgatar os animais - o comum é uma ocorrência por mês. Três deles foram parar dentro de residências, despertando o pânico dos moradores.

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Outro resgate incomum foi de um jacaré na praia de Canasvieiras, uma das mais movimentadas da capital. O réptil de água doce estava nadando no mar.

Os bairros onde se tem visto mais jacarés – Santa Mônica, Itacorubi e Pantanal - ficam na região do entorno da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na tarde de quarta-feira 17, os bombeiros receberam ligações avisando que mais de 15 animais tomavam banho de sol em frente ao Shopping Iguatemi, no Santa Mônica.

Felipe Pires, tenente da corporação, explicou que, com as tempestades, muitos animais foram levados pela correnteza e se afastaram de seu habitat. Ele também disse que alguns chegaram à área urbana pelos canos de escoamento da água da chuva.

Para tranquilizar moradores e turistas, a Prefeitura de Florianópolis publicou uma nota afirmando que o caso do jacaré banhista foi isolado e as praias estão seguras. O texto acrescentou que "se excepcionalmente eles forem encontrados fora de seu habitat, a população deve manter distância adequada e acionar a Polícia Militar Ambiental".

Os animais foram recolhidos com um instrumento de aço e devolvidos ao seu habitat. Eles são carnívoros e podem chegar a três metros de comprimento. Porém, a Polícia Militar Ambiental informou que os avistados em Florianópolis têm, em média, metade deste tamanho.

De acordo com levantamento da Fundação do Meio Ambiente (Floram), há um aumento na proliferação dos répteis por falta de predadores naturais. Lagartos e garças são animais que comem ovos dos jacarés. Mas o sagui, que é natural do nordeste e foi introduzido clandestinamente na ilha há décadas, come os ovos dos lagartos e das garças. 

O desequilíbrio ecológico favoreceu o aumento do número dos animais, assunto que está entre os mais comentados sobre Florianópolis nas redes sociais.

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