Jaqueline reaparece após um mês, mas não fala sobre vídeo

Parlamentar flagrada recebendo dinheiro do ''mensalão do DEM'' entrega defesa ao Conselho de Ética

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2011 | 00h00

Depois de um mês sem aparecer na Câmara dos Deputados, Jaqueline Roriz (PMN-DF) retornou ontem à Casa sem dar qualquer explicação sobre a gravação na qual aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. A parlamentar estava fora do trabalho desde o dia 4 de março, quando o vídeo foi divulgado pelo portal do Estado.

O primeiro compromisso da parlamentar foi no Conselho de Ética. Junto com seu advogado, José Eduardo Alckmin, ela se encontrou com o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PDT-BA), e com o relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP). Na reunião foi apresentada a complementação de sua defesa.

Até agora, porém, a deputada não se manifestou sobre o mérito da acusação no processo, apesar de, em nota divulgada no mês passado, ter dito que o dinheiro recebido de Durval era para caixa dois. Em rápida entrevista após a reunião, ela se negou a comentar o vídeo. "Eu me guardo o direito de, nesse momento, me calar porque eu necessito esperar formalmente as acusações."

A deputada afirmou não ter intenção de atrasar o processo e ficou em silêncio nas vezes em que foi indagada sobre o que tinha a dizer aos seus eleitores. Questionada se teria consciência limpa, a deputada limitou-se a dizer: "tenho sim".

Após a aparição no Conselho, Jaqueline Roriz tentou retomar a rotina normal de um parlamentar. Foi ao plenário e ao cafezinho anexo, onde comeu pão de queijo, sempre acompanhada de uma assessora. Recebeu muitos cumprimentos, mas alguns parlamentares a evitaram.

Na primeira votação após o retorno ao trabalho, a deputada votou com o governo a favor de um aporte de R$ 20 bilhões do BNDES para a obra do trem-bala entre Rio de Janeiro e Campinas.

O advogado Alckmin insistiu que Jaqueline não pode ser investigada no Congresso. "Não cabe ao Conselho de Ética apurar fatos que não sejam do exercício de mandato de deputado federal. Esse fato não se apura assim, tem que ser apurado no Supremo Tribunal Federal com a colaboração do Ministério Público."

Sobre a acusação de uso irregular de verba indenizatória, a parlamentar afirmou que a Câmara permite o pagamento de condomínio de imóvel para escritório político, mesmo que a sala em questão pertença ao marido da parlamentar. Segundo o advogado, Jaqueline vai pedir ressarcimento do valor descontado em seu contracheque pelas faltas de março. O pedido de licença médica da deputada foi recusado pela Câmara porque ela não foi avaliada pelos profissionais da Casa.

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