Jarbas enfrenta o favoritismo do governador Eduardo Campos

Temor de Serra era não ter candidato ao governo que lhe desse palanque em PE, onde popularidade de Lula chega a 89%

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

No Estado onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nasceu e tem 89% de avaliação positiva, segundo a mais recente pesquisa Vox Populi, a grande preocupação do tucano José Serra era não ter um candidato a governador que o apoiasse. Com muito custo, o próprio Serra convenceu o ex-governador Jarbas Vasconcelos, da ala oposicionista do PMDB, a se candidatar, em aliança com PSDB, DEM e PPS.

Por causa de situações como a de Pernambuco e de São Paulo, onde o PMDB está com Serra, o comando nacional do partido tenta enquadrar os dissidentes e aguarda uma definição do Tribunal Superior Eleitoral sobre o limite da atuação dos peemedebistas na disputa presidencial.

Restrição. Mesmo que a Justiça Eleitoral seja restritiva à participação de Jarbas na propaganda gratuita de rádio e TV, por exemplo, o palanque pernambucano de Serra está assegurado. O tucano trabalha agora para diminuir a vantagem de Dilma Rousseff, embora reconheça que são pequenas as chances de vitória no Nordeste. No último levantamento, Dilma tinha 53% e Serra, 24%.

Jarbas enfrenta o favoritismo do governador Eduardo Campos (PSB), candidato à reeleição, que teve 57% no Vox Populi, contra 28% do adversário. A disputa é tão dura que até agora Jarbas não fechou o segundo candidato ao Senado em sua chapa.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, coordenador da campanha de Serra, optou por disputar uma vaga na Câmara em vez de tentar a reeleição. O PPS também não se anima em sacrificar um candidato a deputado para disputar uma vaga no Senado com poucas chances. O DEM lançou o senador Marco Maciel, que tem a reeleição praticamente garantida.

Operação Vampiro. Após conflitos internos no PT e do vai e vem da candidatura de Ciro Gomes a presidente pelo PSB, os petistas finalmente fecharam a aliança com Eduardo Campos e, no encontro estadual marcado para amanhã, deverão homologar a candidatura do ex-ministro Humberto Costa ao Senado. Em março, a absolvição do petista no processo da Operação Vampiro, que investigou um esquema de fraude na compra de hemoderivados, abriu caminho para a candidatura de Costa a senador.

O outro candidato ao Senado é o petebista Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria, que promete apoio a Dilma. O problema é que o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, está fechado com Serra. Dilma, no entanto, está tranquila com Eduardo Campos como principal cabo eleitoral, especialmente depois da desistência de Ciro Gomes.

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