Jato apresentou falhas no dia do acidente

Um dos problemas ocorreu no sensor do trem de pouso

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

No dia do acidente no Aeroporto de Congonhas, o Airbus da TAM apresentou duas falhas em seus sistemas eletrônicos e mecânicos. Nas duas vezes, o avião foi liberado para decolar após inspeções dos técnicos em solo. Em depoimento ontem à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o vice-presidente técnico da companhia, Ruy Amparo, afirmou que essas panes são corriqueiras e, em geral, não impedem o prosseguimento do vôo.A primeira mensagem de erro surgiu na madrugada do dia 17, em inspeção de rotina de técnicos da TAM no Aeroporto de Campo Grande. A pane, segundo Amparo, teria sido nos sensores do trem de pouso. Mas funcionários da empresa em Campo Grande afirmaram ao Estado que na noite anterior os pilotos tinham reclamado de problemas nos flaps (freios aerodinâmicos) do Airbus. A declaração de Amparo contradiz nota da própria TAM, que reconheceu a pane nos flaps, mas negou qualquer queixa dos pilotos.Segundo o comunicado, o relatório da equipe de manutenção indicava possível falha nos sensores do flap, classificada de menor. ''''A equipe, seguindo o manual do fabricante, realizou o autoteste do computador LGCIU (Landing Gear Control and Interface Unit). Ao executar o procedimento, a indicação não mais se apresentou e a aeronave foi liberada.'''' A empresa insistiu em que o LGCIU não tem ''''nenhuma relação com o sistema de freio da aeronave''''.Pouco menos de dez horas depois, o Airbus voltou a preocupar os pilotos. Antes de decolarem de Congonhas rumo ao Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, o comandante notificou os técnicos em solo que um dos motores havia superaquecido, atingido 300 graus.O Airbus passou por outra vistoria e foi autorizado a seguir viagem. ''''Foi apenas uma precaução do piloto'''', assegurou Amparo. ''''Os motores possuem dispositivos que inibem seu funcionamento em caso de superaquecimento. Não foi o que aconteceu. A temperatura só estava fora do padrão.''''Antes de se chocar contra o prédio da TAM Express, o Airbus já fizera outros dois pousos em Congonhas. Nas duas ocasiões, o nível pluviométrico era superior ao registrado pela estação meteorológica do aeroporto no momento da tragédia.A seqüência de vôos mostra ainda que, apesar de o reverso (freio aerodinâmico acoplado às turbinas) estar travado, a aeronave continuava sendo usada normalmente. Até o acidente, às 18h51, o avião já havia feito sete vôos. A TAM alega que o manual do fabricante permite a operação com esse defeito por até 10 dias, quando o conserto deve ser providenciado.CONSULTOROntem à tarde, a CPI ouviu o depoimento do economista Mário Sampaio, consultor da Airbus há 11 anos. Sua participação, no entanto, pouco acrescentou às investigações. Os deputados ficaram irritados quando descobriram que ele é apenas consultor e não representante da empresa no Brasil, como acreditavam.Sampaio disse que não falava em nome da empresa e não tinha informações técnicas nem comerciais da Airbus. Dois advogados contratados pela fabricante, José Geraldo Piquet Carneiro e João Batista, acompanharam o depoimento. Os deputados pediram o nome de um representante oficial da Airbus, que possa prestar esclarecimentos. Piquet Carneiro prometeu levar ''''o convite'''' da CPI aos executivos da Airbus, que tem sede na França.

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