Jato tinha velocidade excessiva

Segundo o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa, esse ponto onde a velocidade estava maior era a 400 metros do final da pista principal. A informação de que o Airbus estava em alta velocidade foi confirmada pelo presidente da Infraero, José Carlos Pereira, e pelo senador Demóstenes Torres (DEM), relator da CPI do Apagão Aéreo do Senado, que viram a gravação do pouso. "Na hora do pouso, aparentemente ele estava na velocidade padrão (cerca de 200 km/h), mas o que precisamos saber é o por que ele acelerou", explicou Kersul. Para Pereira e alguns controladores de vôo de Congonhas, o avião da TAM já se aproximou com velocidade acima das normas de segurança. O deputado federal Carlos Zarattini (PT), que integra a CPI da Câmara, assistiu às gravações e sentiu o mesmo que o presidente da Infraero."A impressão é que o avião estava numa velocidade muito alta durante a aterrissagem, pelo menos três vezes mais rápida do que a imagem de um pouso anterior." As imagens mostram um pequeno clarão no Airbus, quando o avião está prestes a sair do alcance da câmera, mas não é possível afirmar se foi uma explosão ou apenas um reflexo. Em seguida, vê-se um clarão muito maior quando a aeronave se choca com o prédio. As investigações do Cenipa não descartam nenhuma hipótese, inclusive a de aquaplanagem. Por isso, ficou definido que a pista principal do Aeroporto de Congonhas vai ficar interditada pelo menos até o dia 20. Depois dessa data, em todos os dias de chuva a pista fechará, até que se conclua se houve relação entre o acidente e a falta de grooving (ranhuras que ajudam no escoamento da água). A pista auxiliar funcionará normalmente. "Se, durante a apuração, for detectado algum problema, o Cenipa já pode pedir uma providência imediata", explicou o assessor militar do Ministério da Defesa, major-brigadeiro do ar Jorge Godinho. Quanto às condições da pista, o superintendente de Empreendimentos da Infraero, Armando Schneider, se contradisse sobre a total segurança da pista sem o grooving. Primeiramente, ele afirmou que não havia possibilidade de ter ocorrido aquaplanagem, mas depois admitiu que essa hipótese só será totalmente descartada ao final das investigações. Nem o representante da Infraero nem o superintendente de Infra-Estrutura da Anac, Luiz Myada, conseguiram explicar por que apenas depois do acidente houve a determinação da interdição. Na segunda-feira, um avião da empresa Pantanal já tinha derrapado na mesma via. O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, esteve reunido com o presidente da Infraero, técnicos da Anac e a chefia do Serviço Regional de Proteção ao Vôo para definir o que seria feito. À tarde, eles deixaram o pavilhão de autoridades e foram para a superintendência do aeroporto, de onde assistiram à entrevista do presidente da TAM. Técnicos da Infraero e da Aeronáutica ficaram aliviados com as declarações que não responsabilizavam as condições da pista pelo acidente.

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