Jatobá divide cela com infanticidas

Ela jamais fala da morte de Isabella

, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

de que chegou à Penitenciaria Feminina de Tremembé, no interior de São Paulo, Anna Carolina Jatobá, acusada de participar da morte da menina Isabella Nardoni, há um ano, se aproximou das presas evangélicas para ser protegida. A orientação partiu da direção do presídio, como é feito com todas as detentas que chegam lá acusadas de crimes hediondos. E foi o que ela fez.   Confira a linha do tempo do casoDepois de ficar 45 dias em uma cela separada das outras, começou a frequentar os cultos religiosos às quartas e sábados e ganhou a amizade e a proteção da maioria das cerca de 150 detentas. Transferida para o interior de São Paulo no início de maio de 2008, Anna Jatobá hoje trabalha nas oficinas da Funap (Fundação Manoel Pedro Pimentel), que produzem roupas. Ela ainda não é costureira, mas ajuda na produção de roupas por cerca de oito horas diárias.Anna Jatobá tem bom comportamento na opinião dos funcionários e até hoje usa a aliança de casamento. Algumas presas ainda não gostam dela e não aceitam o crime, mas a maioria das detentas cometeu homicídio contra filhos ou pais. Prova disso são as companheiras dela. Jatobá divide a cela com outras oito presas. Todas acusadas de infanticídio.Na penitenciária feminina, que fica no centro da pequena cidade, a madrasta acorda antes das 6h30 para tomar café, servido até as 7 horas. Meia hora depois, vai para a oficina, com o uniforme branco e amarelo, igual para todas.Apesar da frequência nos cultos e da amizade com as presas, ela não conversa muito. Jamais fala do crime e toda vez que assiste pela televisão (há TV em sua cela) alguma decisão judicial referente a ela ou ao marido, Alexandre Nardoni, passa o dia chorando e sempre nega participação no crime. Todo sábado na prisão é dia de tratar os cabelos e fazer as unhas. Anna Jatobá às vezes faz, mas sempre se mantém muito quieta no pátio, principalmente em dias de visita. A família, os pais, os filhos e até o sogro, Antonio Nardoni, fazem visitas frequentes.

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