Jefferson critica Serra e amplia crise na aliança

Já rompido com presidente do DEM, tucano é atacado por petebista no Twitter; coligados pressionam por 'mudança de tom' na campanha

Julia Duailibi e Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Artilharia. 'Serra é responsável por nossa dispersão', diz Jefferson              

 

 

 

 

 

Quinze dias após o rompimento com o presidente do DEM, Rodrigo Maia, o presidenciável do PSDB, José Serra, enfrentou ontem outro fogo amigo: ataques do PTB, de Roberto Jefferson. O presidente da sigla aliada usou o Twitter para expressar insatisfação com os rumos da campanha tucana.

O mais recente alvo dos ataques foi a ausência de interlocução na campanha presidencial. "Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu", afirmou o petebista ontem no seu microblog na internet. Jefferson esteve algumas vezes em São Paulo neste mês para conversar com Serra. Não foi atendido.

"Quando chego a São Paulo encontro o Sérgio Guerra, o Eduardo Jorge e o Márcio Fortes. E para aí. Nunca conversei com o Serra", declarou. "Apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar", completou.

Legendas coligadas ao PSDB de Serra, principalmente DEM e PTB, reclamam da coordenação e da falta de estrutura e recursos. Nesta semana, Serra, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o coordenador de administração da campanha, José Henrique Reis Lobo, se reuniram para discutir a estrutura nos Estados.

Anteontem, em outro capítulo da falta de apoio aliado, a maioria dos candidatos a governador ignorou Serra e não mencionou a candidatura tucana no horário eleitoral gratuito na TV - a lei não proíbe que candidatos citem o nome do seu presidenciável.

Marketing. Jefferson direcionou os ataques ao marqueteiro de Serra, Luiz Gonzalez, alvo preferencial dos aliados, que reclamam de o presidenciável ouvi-lo excessivamente e questionam a eficácia dos programas na TV - dizem ser muito paulistas.

"Curioso é o olhar enfarado e apressado do Gonzalez quando vê um político. Mas não se faz política sem políticos. Se o Gonzalez ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela fake, nem o bobajol do Zé", postou Jefferson, referindo-se ao programa que foi ao ar na terça, estreia da propaganda na TV.

Para aliados de Serra, além da falta de interlocução, Jefferson estaria contrariado com a defesa que Serra faz de sua participação no episódio conhecido como mensalão. Jefferson esperaria postura mais enfática do tucano.

"Roberto (Jefferson) já deu demonstração forte de coragem ao nos apoiar. Eventuais críticas devem ser entendidas como naturais e sobre elas vamos refletir. Mas seria melhor que não as tivesse feito", disse Guerra.

As críticas dos aliados também passam pelo tom da campanha. Avaliam que Serra têm de ser mais agressivo. Para os políticos, ele acertou ao fazer críticas mais duras a Dilma no debate Folha/UOL anteontem.

A equipe de comunicação do candidato diverge dessa teoria. Acha que as críticas têm de ser dosadas. Do contrário acabariam repetindo o filme de 2006, quando Geraldo Alckmin atacou o adversário, Lula, e perdeu pontos nas pesquisas.

"Tem uma única pessoa que o Serra ouve: Gonzalez", declarou um cacique do DEM. Há 15 dias, Serra rompeu com o presidente do DEM após pedir que voltasse atrás de declaração feita a jornal. Não conseguiu.

Defesa

SÉRGIO GUERRA PRESIDENTE DO PSDB

" Eventuais críticas devem ser entendidas como naturais e sobre elas vamos refletir.

Mas seria melhor que não as tivesse feito"

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