Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Em depoimento, João de Deus nega acusações de abuso sexual

Médium depôs por mais de três horas; 'comportamento dele foi de negação das acusações, agindo de forma natural, respondeu a todas as perguntas', diz delegado

Isabel Cristina, Especial para O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2018 | 14h12
Atualizado 17 Dezembro 2018 | 17h45

A Polícia Civil divulgou nesta segunda-feira, 17, novos detalhes do depoimento do médium João de Deus, suspeito de abusar sexualmente de mais de 400 mulheres. Segundo o delegado-geral, André Fernandes, o interrogatório resultou em sete páginas.

"Ele apresenta a versão de cada fato e não confessa a prática destas ações. Durante o depoimento, o comportamento dele foi de negação das acusações, agindo de forma natural, respondeu a todas as perguntas e compreendeu as acusações a ele imputadas. Ele afirma que todos que iriam naquela casa era de forma voluntária, espontânea, que os atendimentos eram coletivos e que não havia estes abusos", disse André Fernandes.

Ao todo, 15 mulheres foram ouvidas pela Polícia Civil. Apesar de João de Deus negar as acusações das vítimas, o delegado afirma que os relatos de abusos durante atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, são muito contundentes. "O interrogatório não consegue superar as denúncias, as oitivas das mulheres que narraram de forma tão segura e detalhada o que viveram. Somado com outras provas que a polícia terá até o fim das investigações, o Poder Judiciário terá vastas informações", declarou. 

O depoimento ocorreu na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Goiânia. Ele respondeu às perguntas dos delegados por mais de três horas, mas o delegado-geral não detalhou o conteúdo do interrogatório. "Trata-se de informação sensível, é um caso delicado. Mas ele apresentou versões, explicações para os casos", completou.

João de Deus deve ser ouvido novamente. "Vamos confrontar o que ele falou com as provas que temos e com os depoimentos colhidos e analisar tudo. Devemos ouvir ele uma segunda vez, mas primeiro precisamos fazer esses comparativos", explicou.

O delegado Waldemir Pereira, conhecido como Branco, também acompanhou o depoimento de João de Deus e disse que ele se manteve tranquilo na maior parte do tempo. No entanto, segundo ele, ao falar de uma vítima de quem se lembrava o médium se mostrou nervoso. Com a prisão do médium, a Polícia Civil acredita que mais vítimas devem surgir. O delegado explicou que deve se encontrar nesta segunda-feira, com o Ministério Público, que também atua na força-tarefa para apurar os casos. O MP já recebeu mais de 400 denúncias contra João de Deus. 

Defesa

O advogado Alberto Toron, que defende o médium, disse que tem "sérias dúvidas sobre os depoimentos incriminatórios". "Tivemos acesso a parte dos depoimentos e sem fotos das vítimas, então alguns casos ele não se lembra. E tem relatos de mulheres que dizem ter sido abusadas e voltaram lá outras vezes. Então, é preciso escrutinar tudo com calma para que não haja um linchamento", explicou. O defensor disse ainda que o médium alega inocência e que acredita que isso é uma armação contra ele. "O senhor João acha que tem gente que o quer destruir", completou.

Toron informou que entrou com um pedido de habeas corpus nesta segunda-feira para revogar a prisão preventiva do médium. Sobre a movimentação de R$ 35 milhões nas contas de João de Deus, o advogado explicou que não houve nenhum saque. "Não houve nenhuma movimentação. Ele simplesmente baixou as suas aplicações para fazer frente às necessidades dele. Ele se apresentou dando mostras claras de que respeita a Justiça e o Poder Judiciário e por isso está à disposição", explicou.

Prisão

O médium João de Deus teve sua prisão decretada na sexta-feira, 14, a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO). No domingo, 16,  ele se entregou à polícia em uma estrada de terra em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. Ele foi trazido para Goiânia e, após prestar depoimento, encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.

O líder religioso dormiu em uma cela de 16 m² no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia na Região Metropolitana da capital. De acordo com a assessoria de imprensa da Diretoria-Geral de Adminisitração Penitenciária (DGAP), o religioso passou bem a noite, dormiu junto com outros três presos e comeu pão com manteiga e achocolatado nesta manhã. O órgão informou ainda que João de Deus está recebendo todos os medicamentos que ele faz uso contín

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