Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

João de Deus presta depoimento no Ministério Público de Goiás

Promotores devem concluir primeira denúncia contra médium ainda nesta semana; procuradora-geral, Raquel Dodge, se manifesta contra pedido de liberdade de João de Deus

O Estado de S Paulo, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2018 | 15h28
Atualizado 26 de dezembro de 2018 | 22h27

O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, prestou depoimento ao Ministério Público de Goiás (MPGO) nesta quarta-feira, 26. Ele chegou por volta das 10 horas e saiu pouco depois do meio-dia. O interrogatório durou aproximadamente 1h30.

Após o depoimento, João de Deus retornou ao Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde está preso preventivamente desde o dia 16 de dezembro. Ele é acusado de abusos sexuais durante tratamento espiritual. A previsão é de que os promotores concluam a primeira denúncia ainda nesta semana.

Uma força-tarefa foi montada no MPGO sob a coordenação do procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, que manteve os trabalhos no feriado de Natal. As vítimas podem procurar uma unidade do Ministério Público, em qualquer estado, para prestar depoimento. 

Até agora, segundo o Ministério Público de Goiás, já foram coletados 78 depoimentos de vítimas de abusos sexuais. Mais de 600 mensagens chegaram à instituição desde o dia 10 deste mês - quando foi criado um canal de denúncias -, sendo 260 delas potenciais vítimas do médium. Onze moram fora do Brasil: quatro nos Estados Unidos, três na Austrália, uma na Alemanha, uma na Bélgica, uma na Bolívia e uma na Itália. 

Raquel Dodge se manifesta contra pedido de liberdade de João de Deus

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou nesta quarta-feira petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que defende a manutenção da prisão preventiva do médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus. Ele está preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia desde o dia 16 deste mês acusado de abusar sexualmente de mulheres que eram atendidas na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). Na semana passada, a Polícia Civil concluiu o primeiro inquérito contra João de Deus e pediu seu indiciamento por violação sexual mediante fraude.

Na manifestação encaminhada ao presidente do STF, ministro Dias Toffoli, responsável pelas decisões durante o recesso do Judiciário, a procuradora defende a manutenção da prisão por haver risco de fuga e intenção do médium de dificultar as investigações. Ela cita as movimentações financeiras feitas por ele. 

Dodge aponta também que nem o Tribunal de Justiça de Goiás nem o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisaram ainda o mérito de habeas corpus apresentado pela defesa do líder religioso.  A PGR pediu também a suspensão do sigilo do caso.

Em depoimento prestado nesta quarta-feira, João de Deus disse que "não se lembra" das mulheres que o acusam de abuso sexual.  Para o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o médium, é justificável que ele não se recorde do nome das mulheres que o acusam. "Ele recebia entre 1.000 a 1.500 pessoas todos os dias. Foi perguntado a ele, especificamente, sobre três mulheres. Ele respondeu, logicamente, que não se recordava delas", informou Toron. Antes de a PGR encaminhar a manifestação ao Supremo, Toron disse que não entendia o motivo de manter João de Deus em prisão preventiva, que bastaria "domiciliar com tornozeleira". /Equipe Agência Estado

Mais conteúdo sobre:
João de Deus

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.