Jobim demite Pereira e nomeia Gaudenzi para a Infraero

Ele é o atual presidente da Agência Espacial Brasileira e conhece bem tanto o ministro Jobim como o governador de São Paulo, o tucano José Serra

Tânia Monteiro,

04 de agosto de 2007 | 00h11

O engenheiro Sérgio Gaudenzi, 66 anos, baiano do PSB, é o novo presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) e assumirá o cargo já na segunda-feira, 6. Atual presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), engenheiro, ele substituirá o brigadeiro José Carlos Pereira, que cai em meio à crise aérea. O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, já havia anunciado no início da semana que mudaria o comando da empresa que administra os aeroportos do País, mas não havia dito quem seria o substituto. Na ocasião, Pereira reagiu com ironia à notícia de que seria demitido: "tudo que sobe desce. Tudo que entra sai", disse.    Quem são as vítimas do vôo 3054  Cronologia da crise aérea  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054    Cenipa libera ruínas do prédio da TAM Express  Sobe para 139 o número de vítimas do vôo 3054 identificadas     O novo chefe da Infraero conhece bem tanto o ministro Jobim como o governador de São Paulo, o tucano José Serra (PSDB) – foi militante, como os dois, nos anos 60, da extinta Ação Popular (AP). No movimento estudantil, chegou a disputar, em 1963, a direção da União Nacional dos Estudantes (UNE) com o próprio Serra – desistiu da disputa, o que facilitou a vitória do hoje tucano. Em uma reunião agendada para a próxima semana, mas sem data definida, os dois vão tratar da substituição de toda a direção da Infraero.     Renovação da equipe     Na montagem da equipe, Jobim também já convidou para trabalhar com ele a economista Solange Vieira, gerente de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Solange ficou conhecida por ser a "mãe" do chamado Fator Previdenciário, fórmula inventada no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) para retardar a idade limite das aposentadorias.   Ela também já havia trabalhado com Nelson Jobim no Supremo Tribunal Federal (STF). A pedido dele, quando presidente do tribunal, ela fez estudos para facilitar o pagamento de precatório por parte de Estados e municípios. Pereira disse que já sabia da substituição por Gaudenzi, mas que não ficou magoado. Ele afirmou estar cansado da "série de violências" que vinha sofrendo desde o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em setembro.   Gaudenzi tem excelente relações com os militares, sobretudo os da Aeronáutica e certamente isso contou a seu favor. Presidia a AEB desde julho de 2004. A sua nomeação, justamente por esse perfil político, foge um pouco à idéia inicial do governo e, particularmente, da Casa Civil, de pôr nos cargos pessoas com perfis técnicos. Uma dos fatores que pesou na sua escolha teria sido a sua fama de excelente gestor.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.