Jobim descarta sobreviventes e considera difícil resgatar corpos

Mais destroços são vistos e descoberta de manchas de óleo afasta a hipótese de explosão

Vannildo Mendes, Isabel Sobral e Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

A presença de manchas de óleo, identificadas por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) numa extensão de 20 km, afastaram ontem por completo a hipótese de explosão no ar do Airbus A330 da Air France, que caiu no litoral brasileiro com 228 pessoas a bordo, a caminho de Paris. A informação é do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Com isso, fica mais remota a suspeita de a aeronave ter sido alvo de ato terrorista, como veicularam alguns meios de comunicação franceses.Mas o ministro também deu uma notícia desalentadora para os familiares das vítimas do acidente. Ele descartou a chance de encontrar sobreviventes e disse que até mesmo o resgate de corpos será praticamente impossível. Os que tiveram o abdome rompido na queda permanecerão no fundo do oceano. Os que tiverem o abdome intacto poderão emergir, num prazo de três dias. "Mas lembremos que o acidente foi na costa do Recife", disse Jobim, numa referência à grande incidência de tubarões na região.Ontem, os aviões da FAB identificaram duas trilhas principais de destroços, distantes 136 km uma da outra. Uma fica mais próxima de Fernando de Noronha e outra mais perto das ilhas de São Pedro e São Paulo. A operação montada pelo governo brasileiro para localização de corpos e recuperação de objetos que possam ajudar nas investigações vai traçar um raio de 200 km entre as duas trilhas para concentrar as buscas, que foram encerradas ao cair da noite de ontem e serão retomadas hoje.Um dos objetivos centrais das buscas é localizar a caixa-preta da aeronave, juntamente com a parte principal. Jobim ressaltou "a extrema importância da caixa-preta para esclarecimento das causas da queda do avião" e análise dos momentos finais vividos pela tripulação, mas destacou que o Brasil não tem recursos técnicos, submarinos ou sonares potentes o suficiente para localizar a peça, que pode estar numa profundidade de 2 mil a 3 mil metros. A área de busca fica a uma distância de cerca de 1.200 km do Recife, o equivalente ao trajeto entre Rio e Brasília.FAMÍLIASOs destroços serão removidos inicialmente para uma base em Fernando de Noronha, a pouco mais de 200 km da região em que provavelmente caiu o avião. De lá o material será levado para o Recife. Jobim informou que tudo que interessar à investigação das causas do acidente, incluindo a caixa-preta, será entregue ao governo francês. Entre os destroços encontrados nas trilhas estão uma peça metálica de 7 metros de diâmetro, provavelmente parte da asa, dez objetos de tamanhos diversos e alguns de metal. Ao contrário de terça-feira, ontem os parentes das vítimas no Rio ficaram sabendo antes dos jornalistas que a Aeronáutica encontrou uma peça com 7 metros de diâmetro, objetos metálicos e uma grande mancha de óleo a 90 km ao sul de onde foram avistados os primeiros destroços da aeronave. As famílias, reunidas no Hotel Windsor, se dividiram quanto à possibilidade de ir ao Recife para acompanhar os trabalhos, mas a maioria defendeu a viagem. "Ninguém pode dizer que não há sobreviventes. Meu filho tinha treinamento para acidentes em plataformas de exploração de petróleo. Se ele teve uma chance de viver, aproveitou", declarou o militar aposentado Nelson Faria Marinho, cujo filho Nelson, de 40 anos, embarcou a trabalho para uma empresa italiana de exploração, que o enviaria para Angola.A solução encontrada pelos familiares foi deslocar parte deles para o Recife. O grupo deve embarcar para acompanhar o desembarque dos primeiros destroços da aeronave. Isso deve demorar no mínimo três dias - tempo mínimo avaliado como necessário pela Marinha para a locomoção da costa até o ponto onde foram encontrados os destroços.

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