Jobim discute malha aérea com empresas

Ministro já avisou que não abre mão da redução de vôos em Congonhas

Brasília, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

Em duas reuniões hoje com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, representantes das companhias aéreas vão levar propostas e expor as dúvidas sobre as regras do Conselho de Aviação Civil (Conac) para reorganização da malha aérea e redução do movimento do Aeroporto de Congonhas. Antes de a reunião ser marcada, Jobim deixou claro que a condição para sentar à mesa com os empresários é que não seja discutida a decisão de que Congonhas deixará de ser um aeroporto para escalas e conexões e passará a operar apenas com vôos ponto a ponto. Para Jobim, essa medida é inegociável. Fora isso, o ministro se diz disposto a ouvir as ponderações das empresas.Representantes do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea) acreditam que, no encontro, terão oportunidade de falar genericamente sobre as novas medidas do governo. As questões pontuais têm sido discutidas com o assessor especial do ministro, brigadeiro Jorge Godinho, e com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).Um dos pedidos dos empresários é que o Conac mude a regra que proíbe a decolagem em Congonhas de vôos com mais de duas horas de duração. As companhias pedem que, em vez de horário, o limite seja definido por quilometragem (trechos de no máximo 1.200 ou 1.300 quilômetros). A reivindicação é principalmente das empresas regionais, que dão um exemplo: o trecho entre Congonhas e Ilhéus (BA) é feito em menos de duas horas pelos Boeings e Airbus da Gol e da TAM, mas os aviões menores das linhas regionais levam mais tempo que isso. Se for mantida a regra como está, estariam mantidos os vôos para Ilhéus, a partir de Congonhas, das grandes companhias, enquanto as menores passariam a ter que decolar de outros aeroportos de São Paulo.Os executivos também querem mais esclarecimentos sobre como serão os vôos ponto a ponto autorizados pelo Conac. Outra dúvida é sobre os vôos que passam pelo interior. Eles não sabem, por exemplo, se um avião poderá decolar de Congonhas para Ribeirão Preto, em São Paulo, e de lá seguir para Brasília. Ou se um avião que saiu de Congonhas e pousou em Brasília poderá voltar a Congonhas levando passageiros que saíram de outros destinos, como Manaus, Fortaleza ou Salvador.As dúvidas e queixas das companhias aéreas foram resumidas em um documento encaminhado à Anac. Os executivos não tinham planos de entregar uma cópia ao ministro, por entenderem que o canal para resolver as questões práticas é a agência reguladora. REUNIÕESHoje, Jobim reúne-se com os representantes das grandes companhias pela manhã e com os das empresas regionais no fim da tarde. Amanhã ou na quarta-feira, o ministro terá um encontro em Porto Alegre com os parentes das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, ocorrido no dia 17 de julho, em Congonhas. Na quinta-feira, o ministro irá à Anac para uma reunião com a diretoria. O depoimento de Jobim na CPI do Apagão Aéreo da Câmara, inicialmente previsto para quarta-feira, deverá acontecer no dia 21, uma terça-feira.

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