Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

Jobim diz que partes dos destroços encontrados são do Airbus

Ministro da Defesa afirma que uma parte é lixo descartado dos navios, mas que outra é do avião da Air France

José Newton Falcão, especial para o Estado de S. Paulo,

05 de junho de 2009 | 15h39

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarou nesta sexta-feira, 5, que parte dos destroços encontrados pelas embarcações da Marinha do Brasil são mesmo do avião da Air France que caiu no Oceano Atlântico. Ele chegou a São Borja nesta manhã para vistoriar a Operação Fronteira Sul, que se desenvolve no município, sob a coordenação do Comando Militar do Sul. Jobim comentou que parte do material localizado é lixo descartado por navios e outra parte é formada por pedaços da aeronave francesa. "Fizemos em Fernando de Noronha um ponto de apoio, onde já está um container frigorífico, para o caso de ser localizado algum corpo", comentou.

 

A Aeronáutica informou na última quinta que as peças encontradas a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha não eram da aeronave. De acordo com o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, o pallet (espécie de porta bagagem) içado pela Marinha é feito de madeira. As duas bóias que a Aeronáutica chegou a afirmar que haviam sido resgatadas, na realidade, sequer chegaram a ser levadas a bordo.

 

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A promotoria de Paris abriu nesta sexta-feira uma investigação por "homicídio culposo" para apurar o desaparecimento do Airbus da Air France que voava do Rio para Paris no último domingo. A investigação, segundo um comunicado da promotoria, não se dirige contra ninguém em particular. A juíza instrutora do caso será Sylvie Zimmerman. A Corte de Paris informou também que a promotoria enviou uma carta para cada uma das famílias das vítimas para notificá-las desse procedimento penal. Os parentes também foram informados que foi aberto um procedimento civil sobre o caso no Tribunal de Paris.

 

Também nesta sexta, o governo francês lamentou a notícia de que os destroços não eram do Airbus. Em uma entrevista à rádio francesa RTL, o secretário francês de Transportes, Dominique Bussereau, disse que a revelação é uma "má notícia". "É evidentemente uma má notícia. Teríamos preferido que fosse do avião e que tivéssemos informações", disse Bussereau. Mas ele rejeitou a sugestão de que as autoridades brasileiras tenham se apressado ao relacionar a peça à aeronave. 

 

Velocidades incoerentes

As declarações do secretário francês foram dadas horas antes de a agência francesa que investiga o acidente divulgar que havia uma "incoerência" nas informações de velocidade medidas pelos aparelhos do avião. Em um comunicado à imprensa, o Centro de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês) afirmou que é possível estabelecer, "a partir da avaliação das mensagens automáticas transmitidas pelo avião, uma incoerência das diferentes velocidades medidas".

A aeronave possui diferentes aparelhos para mensurar a velocidade, e os investigadores disseram que havia "uma incoerência entre essas velocidades". Ainda segundo o comunicado, a investigação permite confirmar que o avião voava em uma zona de forte tempestade no momento em que teria ocorrido o acidente. A nota diz que "esses são os únicos elementos estabelecidos" e pede que se evitem "todas as interpretações apressada ou especulação".

Na quinta-feira, o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, afirmou que "qualquer pista sobre o desaparecimento do avião no Oceano Atlântico é "prematura". "Há um exagero de informações, em todas as direções, que são mais ou menos verdadeiras, mais ou menos validadas com extrapolações e tentativas de explicações", afirmou.

 

(Com Agências internacionais)

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