Jobim e Lula acertam mudanças na Anac em 15 dias

Ministro dá a entender que precisa encontrar especialista para os setores de regulação e a aviação da Anac

Tânia Monteiro, Estadão

27 Agosto 2007 | 20h17

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reuniu-se na tarde desta segunda-feira, 27, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, para discutir questões ligadas à reestruturação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e a substituição da diretora Denise Abreu, que pediu demissão na última sexta-feira. Apesar das dificuldades de encontrar nomes para os cargos nesta área, o ministro quer promover uma completa mudança na Agência, dentro de, no máximo, 15 dias.  "As coisas vão acontecer depois do sete de setembro", disse o ministro, depois de salientar que, "em 15 dias quer estar com este desenho pronto". Mas o ministro acha que as substituições não podem demorar muito "porque fica aberto um espaço". O ideal para o governo era que a diretoria da Anac pedisse afastamento, particularmente o seu presidente, Milton Zuanazzi. Mas, no momento, o único aceno real que o Planalto recebeu de afastamento foi do diretor e coronel da reserva Jorge Veloso, que "estaria providenciando" o seu afastamento do cargo, mas não concretizou nada ainda. Ele teria promessa de conseguir um novo posto no governo.  Joseph Barat está em processo de fritura. Sua situação não é boa, principalmente por causa de viagens que teria feito a convite de companhias aéreas. A situação mais delicada seria de Leu Lomanto, por causa da questão da política baiana. Ligado ao ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, estaria sendo buscada uma "saída honrosa" para ele. O ministro Jobim almoçou na Aeronáutica, com os integrantes do Alto Comando da Força Aérea. Ao sair da FAB, o ministro Jobim informou que "não é fácil" encontrar nomes não só para a Anac, como também para os demais cargos da pasta, como a Infraero. E brincou: "nem todos são loucos como eu".  Jobim, que foi e voltou a pé, do Ministério da Defesa para o Comando da Aeronáutica, apesar da umidade do ar em Brasília estar muito baixa (abaixo de 20%), voltou a lembrar que o presidente da República deu "carta branca" para ele resolver a questão da crise aérea e que o assunto está restrito ao Ministério da Defesa, tendo, definitivamente, saído do Palácio do Planalto. O ministro Jobim está convencido de que "a temperatura está baixando", que as notícias em relação ao setor estão diminuindo. E ele considera isso "um bom sinal". Ao falar do perfil que quer para o lugar de Denise Abreu, o ministro Jobim apontou que precisa ter "visão de regulação", que conheça "os aspectos econômicos do setor de regulação". Para o ministro, "este alguém precisa conhecer o mercado aéreo, precisa conhecer a área, o tráfego aéreo porque, senão, começa a inventar". Questionado se a atual diretoria, cuja principal crítica é não ter conhecimento do setor estava inventando muito, o ministro esquivou-se de responder, alegando que não estava falando isso. Dando a entender que já estava pensando em duas substituições e não apenas na de Denise Abreu, o ministro Nelson Jobim declarou que "vai estudar uma série de opções" e que " a idéia é fundamentar os critérios". E acrescentou: "teremos de ter alguém especialista em regulação e, alguém, outro, que fosse especialista em aviação", disse o ministro que, não quis confirmar, mas, na verdade, já pensava em outra pessoa para o cargo do coronel Jorge Veloso, responsável pela área de aviação na Anac. Depois, tentando consertar, comentou que "há de se encontrar alguém que tenha esse viés complementar". Questionado se poderia usar a investigação na Anac, que começará a ser feita pelos funcionários da Controladoria Geral da União, para afastar todos os diretores da Agência, o ministro respondeu: "ainda não. Vamos devagar". Sobre a possibilidade de esperar que os demais diretores seguissem o mesmo caminho de Denise Abreu, o ministro afirmou que era preciso "aguardar os acontecimentos".  Sobre as mudanças na estrutura que espera promover no setor, o ministro Jobim informou que "a parte institucional já está praticamente pronta" e que a sua idéia é criar a Secretaria de Aviação Civil, mas não sinalizou quem indicará para o cargo. Tudo indica, no entanto, que esta secretaria, que também funcionará como secretaria-executiva do Conselho de Aviação Civil (Conac) e que ficará encarregada de cobrar ações do setor aéreo - Infraero, Decea (controle do tráfego aéreo) e Anac - deverá ser ocupada pelo assessor especial do ministro, brigadeiro Jorge Godinho.  Desmilitarização O ministro avisou ainda que não discutiu na Aeronáutica e não está preocupado com discussões sobre desmilitarização do setor do tráfego aéreo. "Este é um assunto que está sendo conduzido mais ideologicamente do que se preocupando com a eficácia. Meu problema não é ideologia. É saber se funciona, como funciona e o que nós queremos de resultado", disse ele. Ao ser indagado se o tráfego aéreo estava funcionando a contento o ministro resumiu: "está funcionando". Jobim defendeu ainda a necessidade de uma "blindagem" na Infraero, para garantir que a nova direção possa trabalhar com tranqüilidade. "Tende blindar a pessoa que entra, senão ela fica exposta", afirmou Jobim ao lembrar que uma sindicância está sendo feita na empresa, pela CGU.

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