Jobim e Lula definem amanhã sucessão na Anac

Ministro promete anunciar esta semana mudanças no modelo de funcionamento da agência

Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2026 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que vai se reunir amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir quem vai suceder Denise Abreu na diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Desafeto do ministro, Denise renunciou ao cargo na sexta-feira. Jobim, que desembarcou ontem no Rio, também prometeu anunciar mudanças no funcionamento da Anac esta semana. O ministro já revelou a auxiliares que não se contentará apenas com a saída de Denise. Quer a renúncia dos outros quatro diretores da agência.Jobim não quis dizer se já tem algum candidato para a vaga de Denise, apesar das informações de que um dos cotados é o brigadeiro Jorge Godinho, seu assessor mais próximo no ministério. "O presidente Lula e eu vamos examinar o assunto. Vamos nos reunir na segunda-feira. Veremos quem será encaminhado para a posição."Jobim participou no Rio de uma cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado, no Palácio Duque de Caxias. Questionado se havia previsão de futuras demissões na diretoria da Anac, o ministro desconversou: "Eu não trabalho com previsões, trabalho com fatos." Porém, quando indagado sobre a necessidade de reformulação da agência, Jobim foi taxativo. "Vamos trabalhar nesse sentido. Semana que vem vocês vão tomar conhecimento."O Estado apurou que a cúpula da Anac, formada por Milton Zuanazzi, Leur Lomanto, Jorge Velozo e Josef Barat, decidiu se reunir após a renúncia de Denise para traçar uma estratégia conjunta e tentar resistir à pressão do ministro. Procurados durante todo o dia, Zuanazzi e Lomanto não atenderam a pedidos de entrevista. Denise e Zuanazzi, que preside a agência, eram os principais alvos das críticas de Jobim. Mas é Velozo, justamente o único diretor com conhecimento técnico da aviação, quem pode ser o próximo a sair, por conta das pressões contra a agência Denise renunciou após um mês de bombardeio no governo e no Congresso. Acusada de ter enganado uma juíza federal, apresentando uma norma sem validade legal para manter aberto o Aeroporto de Congonhas, ela foi convocada a se explicar pela CPI do Apagão da Câmara, na quinta-feira. Acabou se complicando ainda mais ao divulgar documentos segundo os quais a Anac já previa, desde dezembro, o risco de um avião "varar" a pista de Congonhas. Apesar disso, o aeroporto continuou operando. Em 17 de julho, um Airbus da TAM atravessou a pista, bateu num prédio e explodiu. Morreram no acidente 199 pessoas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.