Jobim exige mais espaço em aviões

Segundo ministro, Anac cobrará de empresas aumento de espaço entre poltronas; assunto é ?estudado? há 3 anos

Tânia Monteiro e Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de sete anos de boom da aviação, o governo determinou ontem que as empresas revejam a prática de reduzir sistematicamente o espaço entre poltronas para transportar mais passageiros. A decisão, que amplia o conforto e fará os aviões voarem menos lotados, foi anunciada na CPI do Apagão do Senado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, 1,90 metro de altura, 110 quilos e um passageiro assumidamente incomodado com o desconforto na classe econômica dos aviões.Jobim também defendeu a aplicação de multas mais pesadas às empresas, "economicamente eficazes", para garantir a pontualidade de vôos. Segundo ele, muitas vezes as companhias fazem a conta para ver se compensa colocar passageiros em outro avião ou atrasar os vôos e pagar a multa. "Então temos que pensar nisso no sentido de criar a responsabilidade." Além da pontualidade, ele definiu como paradigmas da prestação do serviço, que serão exigidos pelo ministério, segurança e regularidade.Sobre as poltronas, o ministro disse que determinou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que reveja o "espaço vital" entre as poltronas dos aviões, assim como a espessura dos encostos. "O espaço vital, que é o espaço entre as poltronas, está absolutamente reduzido, comprimido", afirmou Jobim, admitindo que, por sua altura, "tem dificuldade" durante os vôos. "As empresas diminuíram até a espessura do encosto dos assentos para suportar o aumento drástico no número de passageiros", disse. "Se o cidadão colocar uma garrafa de água na bolsa da poltrona, a pessoa que está na frente terá as costas agredidas na espinha."A indústria aeronáutica tem fabricado poltronas cada vez mais resistentes e finas. Mas as companhias, em vez de usar esse ganho para liberar espaço para os passageiros, adotaram a política de ampliar a quantidade de fileiras de poltronas. Até 1999, o Brasil contabilizava cerca de 5 milhões de passageiros por ano (em número de CPFs de compradores), com a venda de 16 milhões de passagens. Em 2000, o número de passageiros cresceu para 15 milhões, com cerca de 40 milhões de passagens vendidas. Foi no rastro dessa popularização que a TAM se firmou como líder do mercado e a Gol nasceu, em 2001. "O aumento de número de vôos foi inferior ao crescimento da demanda."A Assessoria de Imprensa da Anac afirmou ao Estado que não recebeu nenhuma comunicação formal de Jobim sobre a questão das poltronas. Mas garantiu que, desde 2005, ano anterior à criação da agência, autoridades aeronáuticas fazem estudos sobre o problema. "Os estudos estão em fase de conferência dos dados fornecidos pelas empresas sobre o espaço dos passageiros nas aeronaves." Ou seja: há três anos o assunto está "em estudo". Jobim disse, ainda, que o Brasil é o único país cujas empresas não compram aviões da Embraer, menores, destinados a vôos regionais, porque tem preferido fazer vôos mais longos, comprimindo passageiros. "É preciso ter espaço para a aviação regional."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.