''Jobim foi muito deselegante'', diz Lula

Para ex-presidente, ao não falar para Dilma sobre entrevista à ''Piauí'', ministro da Defesa criou uma situação constrangedora para ambos

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou "deselegante" a atitude do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de criticar colegas de ministério. "Se o Jobim fez aquilo, não é correto", disse. "Não é correto fazer críticas sobre outros ministros, não é elegante."

Indagado se isso seria caso de demissão, disse não saber e acrescentou que a presidente Dilma Rousseff deveria conversar com o ministro. "Dois gaúchos se entendem. Ou não se entendem." Lula contou ter sido informado de que, na quarta-feira, Dilma e Jobim tiveram uma conversa da qual saíram satisfeitos. "Se ele não falou para ela da (entrevista à revista) Piauí e ela ficou sabendo, realmente cria uma situação constrangedora para ele, que não falou, e para ela. Foi muito deselegante."

Sem considerar a saída de Jobim, o ex-presidente afirmou que ele vem conduzindo o Ministério da Defesa "com muita grandeza" e fazendo um trabalho "excepcional". "Mas até o Pelé, se estiver jogando mal, o técnico tira, pô", observou.

Para Lula, é um "erro histórico" achar que Jobim é indicação sua. "A presidente Dilma se reunia com meus ministros muito mais do que eu", afirmou, explicando que cada proposta que chegava à sua apreciação era discutida antes várias vezes com Dilma, então ministra da Casa Civil. "Os ministros eram mais amigos dela do que meus amigos."

Da mesma forma, disse não sentir "nenhum constrangimento" pelo fato de denúncias de corrupção estarem provocando a demissão integrantes de sua antiga equipe de governo. "Eu ficaria constrangido se não estivessem apurando", afirmou. "O importante é que não fique impune."

Marido da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman - a qual Jobim disse não conhecer Brasília -, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tomou as dores da mulher. "Eu não vou cometer o erro do Jobim e falar de outros ministros", disse. Mas não resistiu: "Talvez como um gaúcho empedernido do interior ele tenha arraigada a insatisfação de ser comandado por mulheres". Depois reconheceu que havia exagerado.

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