Jobim quer Comissão da Verdade ''para os 2 lados''

Declaração alimenta a tensão no governo por atingir, potencialmente, época de atuação de Dilma como guerrilheira

, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu ontem a tese de que a Comissão da Verdade, destinada a apurar violações aos direitos humanos ocorridas durante o regime militar, investigue não só as ações patrocinadas pela ditadura, mas também a atuação de grupos da esquerda armada que tentavam derrubar o regime. A declaração de Jobim alimenta a tensão no governo por atingir a atuação na época da hoje presidente Dilma Rousseff, que foi guerrilheira.

"Houve uma divergência inicial com o então secretário Paulo Vanucchi sobre a natureza do projeto. O projeto pretendido por ele era unilateral, pretendia fazer uma análise da memória apenas por um lado da história. Nós queríamos que fosse feita uma visão completa do tema - ou seja, as ações desenvolvidas não só pelas Forças Armadas à época como também pelos movimentos guerrilheiros ", declarou em entrevista ao programa Bom dia Ministro, da EBC.

Repreensão. A criação da Comissão da Verdade desencadeou uma pequena crise no Palácio logo no início do governo. Na segunda-feira, em sua posse, o general José Elito de Carvalho Siqueira, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, disse que não era motivo de vergonha para o País o desaparecimento de presos políticos durante a ditadura militar. Irritada, Dilma repreendeu o general, que pediu desculpas à presidente pela declaração polêmica.

Torturada durante a ditadura, Dilma afirmou em seu discurso de posse não ter ressentimentos nem rancores. Antes mesmo de assumir, ela chamou os comandantes das Forças Armadas para dizer que não haveria "revanchismo" e pedir que não houvesse por parte dos militares "glorificação" do golpe de 31 de março de 1964, que instituiu o regime que governou o País até 1985.

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