Jobim quer parar avião com rede em Congonhas

Infraero sugere concreto poroso; ministro alerta que isso exigiria uma pista maior

Tânia Monteiro, BRASÍLIA; Bruno Tavares, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2008 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao comentar o acidente de anteontem com um bimotor no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, informou que pediu às autoridades aeronáuticas que sejam estudadas proteções a serem instaladas na pista para evitar problemas com aviões que eventualmente ultrapassem a cabeceira. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já tem análises destinadas à melhoria da segurança.Jobim observou que a pista não deveria ser protegida por um muro, mas por outro mecanismo. E citou a possibilidade de instalação de uma rede. A mesma idéia foi defendida pelo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Sérgio Gaudenzi, no dia em que o governo definiu a privatização de aeroportos do Rio e de Campinas.Gaudenzi sugeriu ainda a colocação de um concreto poroso no chão da pista para interromper o percurso do avião, mas Jobim observou que isso exigiria uma ampliação do comprimento da pista numa área de grande densidade de edificações. O ministro da Defesa destacou que o acidente com o turboélice não teve relação com a pista. Controladores de tráfego aéreo de Congonhas relataram ontem que o PT-PAC varou a pista em baixa velocidade e abortou a decolagem perto de alcançar velocidade de rotação (180 km/h), no momento em que a aeronave começa a tirar as rodas do chão. Eles notaram uma rotação anormal na hélice do motor esquerdo e ouviram alguém dizer "decolagem abortada". Só não se sabe se o alerta veio do King Air ou de outro avião que estava na cabeceira. A aeronave, com dois tripulantes e um passageiro, seguia para São José dos Campos.As investigações iniciais da Aeronáutica apontam para duas hipóteses: falha nos controles do bimotor ou uma demora pouco acima do recomendável para abortar a decolagem, por parte dos pilotos. A saída de pista ainda intriga os investigadores, uma vez que uma aeronave daquele porte precisaria de metade do espaço da pista de Congonhas para decolar.O King Air foi içado por um guindaste às 3h50 de ontem, após ficar mais de 13 horas pendurado em um barranco. O guindaste de 60 toneladas chegou ao aeroporto por volta das 2 horas. O turboélice, de prefixo PT-PAC, de 5 toneladas, foi levado para um hangar. Estavam no bimotor o piloto Hadi Sani Yones, de 41 anos, o co-piloto Maurício Nunes Dias, de 33, e o passageiro Ronaldo Mendes da Silva, de 38. Yones e Silva passaram por exames e receberam alta. Já Dias, que teve um corte na cabeça, foi transferido anteontem para o Hospital Vera Cruz, em Campinas, no interior do Estado. Segundo a equipe médica, ele passa bem, mas não há previsão de alta.COLABORARAM ANDRESSA ZANANDREA e TATIANA FÁVAROwww.estadao.com.brVocê acha que o Aeroporto de Congonhas, na zona sul de SP, deveria ser fechado definitivamente? 1.328 internautas responderam:62% SIM38% NÃO

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