Jobim vê compra de caças fora da agenda

Ministro da Defesa diz que é preciso esperar ''momento melhor em termos orçamentários''

Wilson Tosta / RIO, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2011 | 00h00

Na abertura da Laad-Defence and Security 2011, oitava edição da maior feira de armamentos da América Latina, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, acenou ontem com uma má notícia para a Aeronáutica. Em coletiva após visitar o evento no Riocentro, ele indicou que o processo de compra de 36 aviões de caça pela Força Aérea Brasileira (FAB), suspenso pela presidente Dilma Rousseff por restrições ao Orçamento, poderá não ser retomado nem concluído em 2011.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a "anunciar" a vitória do Rafale, da francesa Dassault, mas deixou a decisão para sua sucessora. Também disputam o negócio de US$ 10 bilhões a sueca Saab e a norte-americana Boeing. "A questão não está decidida", disse Jobim, aparentando desconforto. "Está com a presidente. Vamos esperar um momento melhor em termos orçamentários."

A referência à necessidade de um "momento melhor" no Orçamento, porém, é uma forte indicação de que o negócio não será fechado este ano. Em março, o governo federal anunciou cortes orçamentários que, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, seriam definitivos - mesmo que a arrecadação aumentasse, os gastos cortados não seriam retomados. Desde então, a inflação se acelerou.

Embora o fechamento do negócio dos aviões não signifique desembolso imediato - na verdade, vai demorar ainda pelo menos mais um ano de negociação de detalhes -, o anúncio da compra de caças dificultaria a manutenção, pela presidente, do discurso de austeridade e cortes.

Demora. A concorrência para renovação da frota da FAB é discutida desde 2002. Iniciada no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), foi retomada na gestão de Lula (2003-2010), sem conclusão. A demora conflita com o fim próximo da vida útil dos atuais caças brasileiros - um avião desse tipo pode voar em segurança por cerca de 30 anos -, com novas necessidades de defesa do País, de proteção da camada pré-sal e da Amazônia, e com as pretensões do Brasil de ter maior peso político no mundo. Os três concorrentes estão aproveitando a Laad para retomar a propaganda de seus produtos e apostam que a concorrência não será reaberta.

Contraditoriamente, em seu discurso na solenidade, Jobim defendeu os investimentos na área de defesa, em consonância com o crescimento do Brasil na economia e nas relações internacionais. "Estamos maduros para dar um salto qualitativo em diversas áreas, inclusive a da defesa nacional."

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