Jockey parcela parte da dívida

Secretário alega que tem contato direto com a gestão Kassab para ?harmonizar interesses?

Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

31 Julho 2009 | 00h00

O secretário-geral do Jockey Club de São Paulo, José Roberto Pimentel de Mello, afirma que o clube discorda dos critérios adotados pela Prefeitura para calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do hipódromo. As discussões entre a administração municipal e o Jockey Club sobre a cobrança do tributo se arrastam há cinco décadas, sem que as partes cheguem a um acordo. "Temos uma grande área permeável ao lado do Rio Pinheiros e isso é um abonador para efeito da cobrança do IPTU", argumenta o secretário-geral. "Não nos furtamos a pagar o imposto, tanto assim que, em 2008, quitamos R$ 1,2 milhão. Mas queremos pagar o valor que consideramos correto." Mello diz que a presidência do Jockey mantém comunicação direta com o prefeito Gilberto Kassab e com os secretários para tentar "harmonizar os interesses das duas partes". Na adesão ao Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), a direção do clube aceita pagar a dívida relativa ao período de 1981 a 1994. Mas Mello não soube dimensionar o valor total da dívida que será parcelada e diz que os cálculos estão sendo realizados por técnicos. Entre as fontes de renda atuais do Jockey estão a locação de apartamentos de um prédio no centro da capital paulista, na Rua Boa Vista, e as mensalidades de R$ 250 dos 3.500 sócios. O título do clube custa cerca de R$ 5.500. Eventos como o Grande Prêmio Brasil de Turfe, a Casa Cor (e suas variadas divisões) e leilões respondem por 50% da receita anual. No hipódromo também ficam cerca de 1.500 cavalos, a maior parte de puro sangue inglês, treinados para corridas. São de propriedades do clube também a Chácara do Ferreira (antigo centro de preparação de cavalos) e o Centro de Treinamento de Campinas, no interior paulista, onde estão alojadas centenas de cavalos de corrida - e que até 1973 funcionou como um hipódromo independente. DEMOCRATIZAÇÃO A ata de fundação do Jockey foi redigida por Antonio da Silva Prado, o Antonico, que também governou a cidade entre 1889 e 1911. Filho do barão de Iguape, Antonico foi cafeicultor e um dos homens mais ricos do País. Os campeonatos de turfe no hipódromo reuniam no século passado as famílias mais tradicionais da sociedade paulistana, de desembargadores e juízes a empresários, fazendeiros e políticos. Nos últimos anos, contudo, o Jockey passou também a ser frequentado pela classe média, sendo usado para passeios, como outros parques da cidade. A diretoria atual tem divulgado a intenção de "democratizar" o espaço. Nas corridas de cavalo nos fins de semana, é possível fazer apostas com apenas R$ 2. "O Jockey cumpre hoje até uma função social ao abrir as portas a outros públicos", reconhece o procurador-geral do Município, Celso Augusto Coccaro Filho.

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