Reprodução/Twitter
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Empresário chamou colegas para ajudar a castrar jogador, afirma suspeito

Polícia segue ouvindo testemunhas para entender as circunstâncias do assassinato do jovem em São José dos Pinhais. Um dos presos admitiu que ele e amigos foram chamados por Edison Brittes para segurar a vítima durante a tortura

Julio Cesar Lima, Especial para o Estado

12 Novembro 2018 | 18h47
Atualizado 13 Novembro 2018 | 15h11

CURITIBA - A Polícia Civil do Paraná voltou a ouvir testemunhas e suspeitos do caso do jogador Daniel Freitas, de 24 anos, morto após uma festa em São José dos Pinhais. Detalhes foram fornecidos aos investigadores sobre como teria ocorrido a morte do jovem. Eduardo Henrique da Silva, de 20 anos, que está preso, disse que o empresário Edison Brittes convidou colegas que estavam na festa a participar da castração da vítima. 

Eduardo depoimento de três horas e meia entre a manhã no começo da tarde desta segunda-feira, 12, e confirmou as participações dele, de Ygor King, de 19, e David Willian da Silva, de 18, além do empresário na morte do jogador. Durante o depoimento, o rapaz chegou a dizer, segundo seu advogado de defesa, Edson Stadler, que se soubesse que Edison pretendia matar Daniel não o teria acompanhado.

Stadler disse que todos saíram da casa com o objetivo de castração do jogador. “(Eles) se associaram para fazer uma castração, uma castração da vítima, do Daniel. Houve um convite do Edison Brittes para que eles fossem juntos para segurar o Daniel para que esse pudesse fazer a castração da vítima, e eles foram, espontaneamente eles foram”, disse.

Logo após a morte do jogador, o empresário chegou a dizer “fiz merda, mas não vai dar nada para vocês, isso fui eu que fiz”, afirmou Eduardo em seu depoimento. O depoimento de Eduardo, que é primo de Cristiana Brittes, também presa, viajou de Foz do Iguaçu para o aniversário de Allana Brittes, contradiz Ygor e David, que negaram que tivessem participado de toda a sessão de tortura comandada por Edison.

Eduardo contou que foi alertado sobre as agressões que Daniel sofria no quarto, após ser flagrado na cama do casal Brittes. Depois de ser levado para a área externa da casa, disse que “Júnior (Edison) parou o carro de ré e disse 'eu vou capar esse cara e preciso que vocês venham junto'", relatou.

Antes de sair, Eduardo conta que “Júnior foi até a cozinha, apanhou uma faca, passou no chão como se a amolasse e a levou para o carro”, comentou. Pouco antes de Daniel ser morto, já no porta-malas do carro, Brites viu o celular do atleta. “Após ver o aparelho celular, Júnior não disse mais nada e seguiu para uma estrada de chão, Júnior desceu e os demais desceram”, relata o depoimento.

Em seguida o empresário levou o jogador para perto de algumas árvores e Eduardo viu movimentos similares a quem corta alguma coisa, momentos depois o empresário voltou ao carro sujo de sangue.

Defesa nega participação de jovens

O advogado de defesa de Ygor e David, Robson Domacoski, disse que a versão de seus clientes será provada com os laudos. “Estamos tranquilos quanto a isso porque as investigações estão bem apuradas e agora irão vir elementos provas, estamos querendo que venham as provas, porque as provas vão ser fundamentais para mostrar o que cada um fez”, comentou.

Além de Eduardo, o delegado Amadeu Trevisan ouviu a jovem Evelyn 19 anos, que chegou a ter um affair com Daniel durante a festa de aniversário de Allana, e outra testemunha que estava na casa, mas não teve participação nas agressões. Evelyn disse ter visto Daniel com vida dentro da casa.

Entenda o caso

Daniel Freitas participou da festa de Allana Brittes, em uma boate em São José dos Pinhais, na sexta-feira, 26 de outubro. A festa prosseguiu na casa da família, onde Daniel relatou a amigos, pelo WhatsApp, que a mãe de Allana, Cristiana, estava dormindo e que ele se aproximaria dela. A partir daí, as versões de suspeitos e testemunhas divergem. Edison Brittes, pai de Allana e marido de Cristina, disse ter flagrado o jogador tentando estuprar a mulher, o que gerou sua reação violenta, que culminou com a morte.

A tese de estupro é vista com desconfiança pelos investigadores. Antes de morrer, Daniel foi espancando, teve o pênis cortado e seu corpo foi abandonado em uma estrada. Edison, Allana e Cristiana foram presos dias após o empresário confessar que tinha matado o jovem como reação ao estupro. Outras três pessoas estão presas: Eduardo, Ygor e David. Para a polícia, eles estavam no carro quando o corpo da vítima foi transportado e é investigada a participação deles na tortura e morte do jogador. 

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