Jogo de cartas marcadas no DF

Jogo de cartas marcadas no DF

A Câmara Distrital de Brasília acelerou o processo de realização de eleições indiretas para um governo-tampão de seis meses, com o objetivo de inviabilizar a intervenção federal. Marcou-as para 17 de abril, para acontecer antes que o STF se manifeste. São eleições sem legitimidade alguma, segundo o Procurador-Geral Roberto Gurgel.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Se o comportamento dos deputados distritais e do governador interino Wilson Lima servirem de referência aos juízes, poderá reverter a tendência contra a intervenção. Com 18 de seus integrantes investigados, os deputados já decidiram manter Wilson Lima no cargo tornando a eleição um mero teatro.

O governador, por sua vez, já mostrou a quem serve no posto, ao embutir num projeto de aumento de dentistas do quadro do GDF, um artigo que dava foro privilegiado a dois ex-funcionários do governo Arruda - José Geraldo Maciel e Fábio Simão -, cujas prisões são consideradas iminentes.

Aumento, aliás, foi outra arma que Lima usou para segurar-se no cargo, literalmente a qualquer preço. Aprovou um aumento de 35% para as polícias Civil e Militar - as mais bem pagas do País -, e para o Corpo de Bombeiros, impondo um rombo superior a R$ 1 bilhão ao Fundo Constitucional de Brasília, que é de R$ 7,5 bilhões.

O Tribunal de Contas do DF, reduto de arrudistas e rorizistas, é que julgará a idoneidade dos contratos suspeitos do governo, fechando um círculo vicioso que, sem a intervenção, estará legitimado.

O papel de Ciro

Qualquer que seja a definição que Ciro Gomes possa ter sobre seu papel na campanha, ele já está claro para seus adversários: Ciro é o fator de segurança da candidatura Dilma porque investe num segmento do eleitorado que só votará em José Serra se as demais alternativas a Dilma não decolarem. É o que explica a subida de Serra quando o nome de Ciro é excluído das pesquisas. Esse segmento não vota com o governo mas preferia que o candidato da oposição fosse outro, talvez Aécio Neves. A tese, que circula entre tucanos, explica ainda que Ciro bate no PT por ser um discurso agradável aos ouvidos desses eleitores.

O jogo começou

Um pouco mais de exposição como candidato pôs José Serra à frente de Dilma Rousseff na mais recente pesquisa Datafolha. O resultado contraria as previsões do PT e até as do DEM, aliado incondicional do PSDB, que temia esse placar inverso, a favor de Dilma. Não há acaso e nem fator misterioso: Serra cresceu porque afirmou-se como candidato, entrou na disputa.

Cachimbo da paz

O deputado e ex-ministro Antônio Palocci recebeu do presidente Lula a missão de desacreditar as propostas de controle social do PT. Lula procura estabelecer diferença entre as críticas que ele próprio faz ao trabalho da imprensa, que considera pontuais, e os projetos de intervenção e controle na área da comunicação.

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