Jogo mais aberto com empresários de Minas

Encontros na Federação das Indústrias de MG servem para candidatos detalharem um pouco mais suas propostas

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Recentes encontros com empresários mineiros acenderam a preocupação dos presidenciáveis José Serra e Dilma Rousseff com questões macroeconômicas e abriram também a discussão sobre o papel do Estado num futuro governo.

Os dois pré-candidatos começaram a esboçar o que pensam sobre essas questões em encontros com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.

Enquanto Dilma - que esteve na entidade no dia 7 - classificou a América do Sul com um dos "destinos importantíssimos" para os produtos nacionais, Serra foi enfático na crítica ao Mercosul. No encontro, segunda-feira, ele apontou o bloco como uma "barreira" que impede o Brasil de fazer novos acordos de livre comércio.

O tucano defendeu a tese de que o País tenha "práticas de comércio mais agressivas e realistas". "O Mercosul tinha de ter começado como slogan de livre comércio. União alfandegária, renunciar à soberania numa política comercial, só depois que estivesse consolidado uma zona de livre comércio, como foi na Europa."

Os dois pré-candidatos também não se entendem em relação à qualidade do atual ciclo de crescimento da economia. Dilma assegurou que o Brasil construiu um novo padrão de crescimento sustentável para o País, com "distribuição de renda e mobilidade social". Serra, contudo, não vê elementos que assegurem que ele será "sustentável no futuro".

O papel do Estado na economia, entretanto, aproximou os presidenciáveis. Dilma frisou que não é a favor de um Estado intervencionista. "É ridículo ser a favor daquele Estado empresário dos anos 50", disse. "Aquele Estado produtor e todo poderoso do passado não tem mais vigência, não é só no Brasil, no mundo", ressaltou Serra.

O tucano e a petista também tentaram agradar aos empresários. Serra arrancou aplausos quando propôs o redirecionamento dos financiamentos do BNDES para a atração de novos investimentos. Já a petista deixou boa impressão ao assumir que o governo não conseguiu enfrentar o "conflito federativo" que impediu o avanço de uma reforma tributária no Congresso.

"Os dois estão familiarizados, preparados para discutir os temas mais sofisticados", elogiou Robson Braga de Andrade, presidente da Fiemg. "Mas agora nós temos de dar musculatura (ao crescimento do País)".

O QUE ELES DISSERAM

Serra

"O Mercosul é uma barreira para o Brasil fazer acordo... A união aduaneira hoje é uma farsa na prática, exceto para atrapalhar. Atrapalha a todos. A gente tem de ter coragem reformista no caso do Mercosul, para salvar o Mercosul"

"O crescimento recente é promissor, mas não há nada que garanta que seja sustentável no futuro. Crescimento é uma coisa complexa"

"Não vai ter mais a presença daquele Estado todo poderoso que tinha no passado. Nós temos de ter um Estado vigoroso, um Estado ativo, temos de praticar o ativismo

Estatal"

Dilma

"Criticavam muito o governo Lula por conta da política externa, mas fazer exportação para a América do Sul foi ótimo, é muito bom e nós vamos ter de continuar insistindo em manter a exportação"

"Combinamos crescimento com distribuição de renda. Deslocamos para dentro do País a dinâmica do crescimento"

"O primeiro papel que não podemos abrir mão dele é que o Estado tem de planejar. O Estado não pode olhar o depois de amanhã. O Estado tem de olhar o longo e o médio prazo"

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