Jornais argentinos destacam as eleições brasileiras

Faltando apenas quatro dias para a eleição presidencial no Brasil, a imprensa argentina aumenta o espaço de cobertura dedicado ao assunto. O Clarín, por exemplo, publicou nesta quarta-feira, 27, duas páginas sobre o pleito, com destaque, desta vez, ao candidato da oposição, Geraldo Alckmin.No alto da primeira página, Clarín titulou uma das frases que o Alckmin disse nesta terça, durante entrevista concedida aos jornalistas estrangeiros, no Rio de Janeiro: "o Mercosul deve buscar acordos comerciais com Estados Unidos".Clarín destacou que "é preciso reconhecer que Alckmin tem bastante coragem: a apenas seis dias das eleições, aceitou submeter-se às incômodas perguntas da imprensa estrangeira". Na oportunidade, o candidato "defendeu uma política externa que, essencialmente, representa uma continuidade da desenvolvida pelo atual governo", opinou. O jornal também publicou reportagem sobre "os insultos contra Lula em um ato opositor", referindo-se ao comício da última segunda-feira,, onde nenhum dos presentes "poupou suas metralhadoras contra Lula".O La Nación publicou um espaço similar ao de seu concorrente sobre as eleições com o título: "cresce a pressão judicial sobre Lula", com o enfoque sobre a intimação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por parte do Tribunal Superior Eleitoral, "que lhe deu um prazo de 10 dias para explicar o quanto sabia sobre o escândalo que salpicou alguns colaboradores". La Nación fez vários quadros com explicações sobre os escândalos ocorridos durante o governo Lula: a máfia dos bingos, o mensalão, máfia dos sanguessuga; escândalo por compras de documentos.O La Nación traz ainda o relato da entrevista de Alckmin a correspondentes estrangeiros, no Rio de Janeiro.A poucos dias das eleições, o tucano resolveu "utilizar munição mais pesada", e criticar "com adjetivos fortes" o governo do atual ocupante do Palácio do Planalto, afirma o diário.A conversa girou em torno de política internacional e das denúncias de corrupção, segundo o La Nación. Alckmin criticou a postura brasileira durante a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, uma suposta falta de avanço nas negociações comerciais internacionais, e deu a entender que prefere um Mercosul com status de área de livre comércio, menos ambicioso que a atual união aduaneira.O paulista disse que "o governo de Lula é um governo autoritário, porque todo governo corrupto é autoritário". Palavras que passam "quase despercebidas" pela fala "pausada, tranqüila e monótona" do candidato, nos termos do diário argentino. "Alckmin usou o estilo que lhe fez conhecido: ofereceu respostas sensatas, mas estudadas e sem entusiasmo, algo que lhe valeu o apelido de ´picolé de chuchu´, um legume com gosto de nada".O El Cronista destacou, em sua cobertura, a opinião de analistas que "recomendam mais ortodoxia econômica" para o próximo governo, independentemente de quem seja o vitorioso. "Os analistas sustentam que o candidato que ganhar as eleições deverá limitar a alta no salário mínimo, diminuir o gasto de pensões e salários dos empregados públicos e renovar duas medidas chaves para o final de 2007: uma para aumentar uma fonte crucial de ingressos tributários e outra para dar mais flexibilidade ao governo na administração do orçamento", ressalta.Ao contrário do Clarín, que classificou o discurso de Alkimin sobre a política exterior igual, em essência, ao do atual governo, o jornal Página 12 publicou reportagem bem diferente. "Nas eleições presidenciais de domingo próximo se enfrentam duas visões muito diferentes de política exterior", opina Página, quem enumera as diferenças das propostas de ambos candidatos."A diplomacia do presidente Lula tem sido enfática em fortalecer o eixo Sul-Sul e em dinamizar sua liderança regional", enquanto que "Alckmin entende que a política externa de Lula foi um fracasso" e promete "dar importância à América Latina mas não comunga com o eixo sul-sul".

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