Jornais argentinos destacam sentimento de "golpe branco"

Os jornais argentinos destacam o fechamento da campanha eleitoral no Brasil. O Clarín dedica duas páginas contendo reportagens produzidas por sua correspondente no Brasil e um enviado especial. O destaque fica por conta da denúncia de que "a oposição prepara um golpe contra Lula", conforme disse o porta-voz do PT, Valter Pomar, em entrevista exclusiva ao jornal. Ele afirma que "os opositores não reconhecerão a vitória de Lula no domingo", e que "o ex-presidente (Fernando Henrique) Cardoso está entre os supostos instigadores".O jornal argentino El Clarín destaca nesta quinta-feira o discurso sobre um suposto "golpe da oposição" encampado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) às vésperas das eleições presidenciais deste domingo."As palavras percorrem o cenário eleitoral brasileiro nestes dias: ´golpe branco´. Na linguagem do PT se designa com esta frase a ´tentativa´ de setores da oposição de barrar Lula em seu caminho para o segundo mandato", descreve o jornal.Segundo o Clarín, Pomar afirma que "a idéia é desconhecer uma vitória do presidente, no primeiro ou segundo turno". "Não descartam recorrer a um impeachment posterior", disse o petista, de acordo como o jornal.Perguntado se o ex-prefeito de São Paulo, José Serra, estaria eximido das acusações, Pomar teria respondido à repórter: "Não eximo ninguém".Em um Box, o Clarín expõe seu ponto de vista de que "é evidente que o PT tem as mãos manchadas pelos escândalos de corrupção que estalaram no Brasil nestes últimos quatro anos. E poderiam resultar mais questionáveis porque o PT sempre levantou as bandeiras da transparência quando era oposição". O jornal também publica texto dizendo que "Lula tem garantido o voto dos brasileiros pobres".La NaciónO La Nación publica uma página com três reportagens: "A oposição tem uma visão golpista", sobre uma entrevista exclusiva de Marco Aurélio Garcia; "ordenam a prisão de seis assessores de Lula", e "o homem chave do Presidente", um perfil de Garcia. O jornal destaca que "na visão do oficialismo, as elites não seriam os capitães da indústria nem os banqueiros, mas o dirigentes da oposição social democrática e o Partido da Frente Liberal (direita), que governara o país em diferentes mandatos até a chegada do PT".O diário La Nación traz uma entrevista em que o chefe da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, também endossa o discurso contra o que chamou de "visão golpista da oposição"."As elites brasileiras são um pouco ´gorilas´", atribui o jornal argentino ao assessor de Assuntos Internacionais do presidente.Na entrevista, Garcia teria dito que as denúncias de corrupção no governo são fruto da maior capacidade investigativa da Polícia Federal, e expressado confiança em que o PT possa recuperar o prestígio perdido pelos escândalos.Mais jornais"As campanhas de imprensa destinadas a frear Lula. Uma história cheia de operações". Esse é o título da reportagem do Página 12, que inicia o texto afirmando que a "bomba noticiosa detonada há duas semanas envolvendo, com provas, membros do Partido dos Trabalhadores é um escândalo de espionagem política que confirma que no Brasil as campanhas eleitorais deparam surpresas até o último momento".O jornal remete à campanha eleitoral de 89, quando as principais cadeias de televisão do Brasil mostraram um grupo de seqüestradores pouco depois de serem detidos, todos com a camiseta do PT, o que influenciou na decisão do eleitorado provocando a perda de votos do então candidato. O jornal afirma que "Lula é um alvo de operações de imprensa" desde esse caso que, posteriormente foi desmentida a participação do PT.El Cronista, o principal jornal econômico do país faz uma cobertura medíocre das eleições no Brasil. Entre os jornais argentinos importantes, El Cronista é o único que ainda não enviou um jornalista para cobrir as eleições. Em sua edição desta quinta, publica um espaço mínimo, em comparação com os demais concorrentes, e um material produzido pelas agências de notícias sobre a "ordem de prisão de um assessor de Lula e outros cinco membros do PT".O jornal Ámbito Financiero destaca em sua capa que "hoje termina a campanha no Brasil. Lula: A corrupção começou no governo anterior". O enviado especial de Ámbito enfoca sua reportagem principal nas respostas de Lula aos seus adversários, durante entrevista à TV Record. E uma reportagem paralela, Ámbito mostra-se extremamente crítico a Lula e ao Brasil. Primeiro elogia a imprensa brasileira de ser "forte e crítica na divulgação de cada detalhe, cada nome, cada negociado, a ponto de que os acusados já não discutem a existência dos delitos, mas sim a quem lhe cabe a responsabilidade".Depois indaga se aos brasileiros "não lhes interessa um contrato moral", já que com tantas denúncias ainda continuam preferindo Lula. E diz que "muitos brasileiros não lêem os jornais e se algo lhes interessa na TV não são precisamente as notícias políticas. Quatro de cada 10 nem ouviram falar dos escândalos". Também publica uma entrevista com o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, quem afirma que "os escândalos de corrupção serão um desafio para o novo governo". Ámbito dedicou suas duas páginas centrais da edição de hoje às eleições brasileiras.

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