Jornalista vai escrever história da W/Brasil

No dia 1º de agosto, em um sofisticado restaurante de Higienopólis, rodeadode amigos que denunciavam a sua trajetória pessoal e profissional, o paulistano Washington Olivetto, de 50 anos, anunciouque o escritor e ex-repórter do Jornal da Tarde Fernando Moraiscomeçaria a escrever a história da sua agência a W/Brasil, que estavacompletando 15 anos. O comemorado autor de livros como "Olga" e"Chatô" tem planos de concluir o projeto no próximo ano, "mas sempressa". Mais do que a agência, a própria trajetória de Olivetto será ofoco de Moraes.Depois de anunciar que iria virar livro, Olivetto lembrou do início decarreira, aos 18 anos, como estagiário na criação da HGP- Harding GimenezPublicidade. Foi parar ali, depois de tentativas frustradas na música, estudou acordeão no Conservatório Heitor Villa- obos dos 6 aos 11 anos eno basquete, onde a altura, 1,62 metro, conspirava contra esta pretensão.Da HGP foi para a Lince, quando esta se fundiu com a Júlio Ribeiro,Mihanovich, dando lugar à Casabranca, onde ficou dois anos até chegar àDPZ, em 1973. A agência que carrega no nome, ainda hoje, o prestígio deRoberto Dualibi, Francesc Petit e José Zaragoza, abriu espaçopara a criatividade de Olivetto. Garoto Bombril foi uma das criaçõesNela criou campanhas memoráveis dapropaganda brasileira, a começar pelo garoto da Bombril, o ator CarlosMoreno e seus inúmeros tipos. Foi a Cannes e começou a ganhar leões.Olivetto nunca escondeu, mesmo que com disfarçada timidez, que gostou dobrilho que a profissão lhe proporcionava nesta fase e não negou fogo nemlenha nessa fogueira de vaidades, em que publicitários começaram a setornar celebridades no País, como artistas e milionários. Tornou-sereferência em assuntos de publicidade, trabalhando muito, criando ecurtindo o filho Homero.Em 86, abriu a própria agênciaEm 1986, o criativo que atendia os melhores clientes da DPZ, deu início aum processo com o qual muitos publicitários ainda sonham: abrir a suaprópria agência. Naquele momento, associado ao grupo suíço GGK, cujocontrolador conheceu em Cannes, e os amigos Javier Ciuret e GabrielZellmeister. Nascia assim a W/GGK, mas por pouco tempo, pois em 1989, juntocom os sócios, compraria, por valor não revelado, a parte da GGK, dandoinício à W/Brasil."No início, muitos me criticaram pelo nome, pelo fator verde-amarelo, quelembrava campanhas da época da ditadura, mas eu queria fazer propagandabrasileira, com cara de Brasil e, hoje, todos entendem isso", disse. Emostrou essa visão em outdoor na cidade, postos na segunda semana destemês, após a W/Brasil conquistar o prêmio Caboré como Agência do Ano: umaimensa bandeira brasileira dependurada no anúncio da premiação. Publicitário diz que serviu de modeloOlivetto gosta de listar as inovações que implantou na sua agência, aW/Brasil: "Quebrei as paredes, e muitos depois seguiram. Abri a agência eoutros seguiram". Leia-se o baiano Nizan Guanaes, que deixou a DPZ pela W eesta para a sua DM9DDB. "Fui o primeiro a valorizar a música brasileira napublicidade e outros vieram depois. Deu uma festa imensa, coisa que hojetodos fazem." A festa até hoje lembrada por muitos foi em comemoração aos10 da W/Brasil e reuniu 10 mil pessoas no ginásio do Corinthians, quesacudiram os esqueletos ao som de Lulu Santos, Paralamas do Sucesso e JorgeBenjor.Com o jogador Sócrates participando desse bate-papo, Olivetto lembrou aindao desafio que assumiu em 1982, cunhando de saída a expressão "democraciacorintiana" e dedicando noites de sono a pensar no clube. Amigos queestavam presentes nessa conversa, como José Bonifácio de Oliveira Sobrinho,o Boni, José Vitor Oliva, endossavam o esforço de Olivetto em tudo o quefaz. Uma criação que caiu no gosto popular como o cachorrinho da Cofap e ogarotos DDDs da Embratel, aqueles gordinhos e chatos, mas que têm altoíndice de lembrança entre o público.Bom fumante e gourmetO amante do filme italiano "Nós Que Nos Amávamos Tanto", de EtoreScola, também gosta de beber e comer bem. Tanto que a holding Prax, quereúne as empresas que controla, tem entre os ativos a "Dubar", aqueleconhaque sempre presente nos botequins, além de outras de criaçãopublicitária como a Lew, Lara. A paixão pela bebida pode ser vista, porpoucos, no andar do prédio em que mora nos Jardins, inteiramente dedicadoao salão e ao bar e cozinha, onde recebe as pessoas. Os dormitórios ou achamada parte íntima, fica em outro andar.O publicitário também não dispensa a comida do Antiquarius, mas prefere acompanhia, em casa, dos amigos e de Patrícia Viotti, da Conspiração Filmes,atual companheira. Nas férias, especialmente no meio do ano, quando o verãoe o Festival de Cannes invadem a Côte D´Azur, Olivetto passa os diasensolorados em Cap D´Antibes, onde mantém residência. Se a agência vai bemno festival, basta um pulo de menos de 40 minutos para que o publicitárioponha os pés no famoso salão dos festivais de Cannes.O publicitário que se banha antes de sair de casa como a colônia PourMonsieur, da Channel, garante que aprendeu a escrever melhor depois de lero livro "O Apanhador No Campo de Centeio", de J.D. Salinger.Amante da velocidade, também adora passear pela cidade a bordo do seuPorsch Carrera. E se Olivetto já vinha numa fase mais caseira nos últimosdois anos, alguns desses hábitos visíveis, como os passeios de carro, podemestar com os dias contados. Uma prova de uma mudança anterior ao seqüestrofoi a forma, mais íntima, com que comemorou os 15 anos da agência. "Chegueia pensar em fazer um bailão daqueles de debutantes, onde as estrelas seriammeninas pobres de 15 anos. Masdesisti, seria demagógico". A opção ficou pelo almoço do dia 1.º de agosto,com amigos e muitos jornalistas. Ali, o contador de casos e causos dapublicidade alimentou Moraes com parte das suas memórias.

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