Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Jornalistas discutem restrições impostas à imprensa no País

Representantes de três grandes jornais endossam avaliação de FHC sobre ameaças que cercam a atividade

, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2010 | 00h00

No primeiro painel do dia, que discutiu o mesmo tema abordado por Fernando Henrique Cardoso, três jornalistas fizeram coro à sua avaliação - de que há, de fato, riscos à liberdade de imprensa no País - e consideraram que o tema tem sido mal conduzido pelo governo. Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, Merval Pereira, colunista de O Globo, e Renata Lo Prete, editora do Painel, da Folha de S. Paulo, falaram ainda sobre a confusão que se faz entre regular a produção da mídia ou criar normas para seu conteúdo.

Gandour começou avaliando que há, sim, riscos à liberdade de imprensa, mas "é delicado falar em gradações dessa ameaça". Merval reagiu às queixas oficiais de que a imprensa tem lado: "Isso está mal colocado. É direito da imprensa decidir ser oposição. Assim como existe a empresa chapa-branca." E Lo Prete criticou o ministro Franklin Martins, que na véspera havia dito que o governo garantiu a liberdade de imprensa no País. "Como assim? É uma liberdade que resulta da generosidade dos governantes?", perguntou.

Gandour citou como exemplo de risco à liberdade de imprensa o caso da censura ao Estado e ao portal estadão.com.br, que desde 2009 estão proibidos pela Justiça, de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele lembrou ainda que há muitos outros casos de censura judicial a veículos do País.

O diretor de conteúdo do Grupo Estado afirmou que é preciso fortalecer as instituições antes de buscar novas leis. Ressaltou "a importância das palavras, atos e gestos governamentais" ao sugerir uma agenda para debate. "O próprio presidente criticou a imprensa. A palavra do presidente não é impune", acrescentou. Ele concluiu sua participação afirmando que, um dia, se poderá avaliar como o Brasil conseguiu evoluir tanto em aspectos do consumo e da economia ao mesmo tempo em que convivia com riscos de retrocessos políticos.

Merval deteve-se na análise do que chama "alma autoritária" do governo, que "começou a dar certo" e leva a "uma certa proximidade com os vizinhos". A editora da Folha estendeu-se sobre o que considera uma questão crucial para a diversidade da informação: quem fala. Hoje, segundo ela, são quase sempre as mesmas pessoas, com as mesmas opiniões. "Quem fala sobre o Enem? E sobre o Banco Central? Ou sobre política urbana? Há um longo caminho ainda", concluiu.

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